De 14 pontos para empate técnico: Datafolha mostra disputa muito mais apertada em 2026 do que na eleição de 2022

Há quatro anos, estudo indicava ampla vantagem de Lula sobre Bolsonaro; agora, petista aparece apenas 2 pontos à frente de Flávio

Compartilhar em:

A um mês das eleições presidenciais, o cenário apresentado pelo Datafolha em 2026 é consideravelmente mais apertado do que aquele registrado na campanha de 2022. Na mais recente pesquisa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 46% das intenções de voto em uma eventual disputa de segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL), que alcança 44%.

A diferença de apenas dois pontos percentuais coloca os dois candidatos em situação de empate técnico, considerando a margem de erro do levantamento, também de dois pontos para mais ou para menos.

A comparação com 2022 ajuda a dimensionar a competitividade da atual eleição. Em pesquisa divulgada no dia 9 de setembro daquele ano, o Datafolha apontava Lula com 53% e Jair Bolsonaro com 39% em uma simulação de segundo turno. Naquele momento, portanto, o petista aparecia 14 pontos à frente do então presidente.

As urnas, entretanto, mostraram uma disputa muito mais equilibrada. No segundo turno, Lula foi eleito com 50,90% dos votos válidos, enquanto Jair Bolsonaro recebeu 49,10%. A diferença final foi de apenas 1,8 ponto percentual — ou pouco mais de 2,1 milhões de votos, segundo a apuração oficial do Tribunal Superior Eleitoral.

Retratos completamente diferentes

O contraste entre os dois momentos chama atenção. Em setembro de 2022, as pesquisas indicavam uma vantagem confortável de Lula, embora essa distância tenha diminuído até o dia da votação. Em 2026, o ponto de partida já é de equilíbrio absoluto entre o atual presidente e Flávio Bolsonaro.

A comparação revela que Flávio Bolsonaro entra na reta decisiva de 2026 em uma posição mais competitiva do que a apresentada por Jair Bolsonaro nas pesquisas do mesmo período de 2022.

Isso não significa, contudo, que o Datafolha necessariamente repetirá a diferença verificada há quatro anos. Pesquisas são retratos do momento, não previsões do resultado das urnas. Mudanças no voto útil, desempenho nos debates, propaganda eleitoral, rejeição e capacidade de mobilização ainda podem alterar o cenário.

O dado politicamente relevante é outro: enquanto Lula possuía uma vantagem de dois dígitos no mesmo estágio da eleição passada, agora enfrenta uma disputa aberta. Flávio Bolsonaro aparece dentro da margem de erro e chega ao último mês da campanha com possibilidade concreta de ultrapassagem.

Se em 2022 a distância projetada pelo Datafolha caiu de 14 para apenas 1,8 ponto nas urnas, em 2026 os candidatos já começam a reta final separados por somente dois pontos. O histórico recomenda cautela com qualquer favoritismo e indica que a Presidência poderá, mais uma vez, ser decidida voto a voto.

Compartilhar em: