Confesso que, ultimamente, tenho pensado muito sobre o amanhã. Não apenas sobre os planos que faço ou os sonhos que ainda quero realizar, mas sobre o mundo que estamos construindo e para onde ele está nos levando. A tecnologia nunca evoluiu tão rápido. A inteligência artificial, a automação, os novos formatos de trabalho, a velocidade …
Coluna Marcos Coerais 23 I Os limites do amanhã

Confesso que, ultimamente, tenho pensado muito sobre o amanhã. Não apenas sobre os planos que faço ou os sonhos que ainda quero realizar, mas sobre o mundo que estamos construindo e para onde ele está nos levando.
A tecnologia nunca evoluiu tão rápido. A inteligência artificial, a automação, os novos formatos de trabalho, a velocidade da informação… Tudo parece acontecer ao mesmo tempo. Quando finalmente aprendemos uma novidade, ela já foi substituída por outra ainda mais moderna. A sensação é de que estamos sempre correndo atrás de um trem que nunca diminui a velocidade.
Hoje, somos constantemente estimulados a sermos mais produtivos, mais eficientes, mais conectados e mais rápidos. A comparação nunca esteve tão presente. Parece que existe uma cobrança silenciosa para estarmos sempre atualizados, sempre disponíveis e sempre um passo à frente. Mas será que isso é viver ou apenas acompanhar um ritmo imposto por um mundo que não sabe mais desacelerar?
Às vezes, tenho a impressão de que o tempo deixou de ser o mesmo.
Você também sente isso?
Quando éramos crianças, parecia que as férias escolares demoravam uma eternidade para chegar. O Natal era um evento quase infinito de expectativa. O aniversário então… parecia nunca chegar. Hoje, piscamos e já estamos no fim do mês. Quando percebemos, metade do ano já passou. Os dias parecem ter menos horas, embora o relógio continue marcando as mesmas vinte e quatro.
Talvez o tempo não tenha acelerado. Talvez sejamos nós.
Vivemos tão ocupados pensando no próximo compromisso, na próxima meta, na próxima atualização, que esquecemos de experimentar o presente. Estamos sempre conectados ao futuro e cada vez menos presentes no agora.
Não sou contra a evolução. Muito pelo contrário. Acho extraordinário tudo o que a tecnologia tem proporcionado. Ela aproxima pessoas, democratiza conhecimento, salva vidas, cria oportunidades e transforma realidades. Seria um enorme equívoco negar os benefícios dessa revolução.
O que me preocupa não é a tecnologia. É a forma como estamos aprendendo — ou deixando de aprender — a conviver com ela.
Como preservar nossa saúde mental em um mundo que nunca aperta o botão de pausa? Como continuar sendo humanos quando tudo parece exigir velocidade de máquina?
Não tenho respostas prontas.
Mas, se existe uma conclusão à qual tenho chegado, é que cuidar da mente deixou de ser um luxo. Tornou-se uma necessidade.
E, para mim, uma das formas mais eficazes de manter a mente sã é praticar um esporte.
Quando corro, pedalo ou simplesmente me movimento, parece que consigo reorganizar os pensamentos. O corpo desacelera a ansiedade da mente. O exercício me lembra que nem tudo precisa acontecer na velocidade de um clique. Existem processos que continuam dependendo apenas de disciplina, constância e tempo. Assim como a vida.
Talvez seja justamente isso que o amanhã esteja tentando nos ensinar.
Que podemos aproveitar toda a inovação sem perder nossa essência. Que podemos admirar a inteligência das máquinas sem esquecer da sensibilidade humana. Que podemos evoluir sem abrir mão do silêncio, das conversas presenciais, dos abraços e da capacidade de contemplar o tempo.
Continuo acreditando que todas as transformações que chegam para melhorar a nossa vida são bem-vindas. Só admito que, às vezes, parece cada vez mais difícil acompanhar tudo isso. O mundo acelera, muda de direção, reinventa suas regras diariamente.
Mas, no fim das contas, acredito que a gente chega lá.
Desde que, nessa corrida pelo futuro, não deixemos para trás aquilo que sempre nos fez verdadeiramente humanos.











