Com mais acesso à cirurgia de conização, Cepcolu amplia atendimento e reduz a incidência da doença que mais atinge mulheres no estado
Tratamento precoce evita avanço do câncer de colo do útero e amplia esperança para mulheres no Amazonas

O tratamento de uma inflamação levou a cozinheira Irecê Barbosa, de 41 anos, a descobrir uma lesão pré-cancerígena no colo do útero e passar por uma cirurgia que impediu o avanço da doença. Moradora de Manaus há dez anos e natural de Eirunepé, no interior do Amazonas, ela é uma das mais de mil mulheres atendidas no Centro Avançado de Prevenção ao Câncer do Colo do Útero (Cepcolu), unidade que ampliou o acesso ao procedimento de conização no estado, fundamental para reduzir a incidência de um dos tipos de câncer que mais afetam as amazonenses.
O relato foi feito durante encontro com moradores do bairro Cidade de Deus, zona leste de Manaus, realizado na última quarta-feira (22), tendo como convidado o ex-secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), Marcellus Campêlo. O Cepcolu foi construído pela UGPE, durante a gestão de Campêlo como secretário.
Há cerca de um ano, Irecê iniciou o tratamento. No Cepcolu, ela passou pela conização, cirurgia indicada para retirada de lesões precursoras do câncer do colo do útero. “O ambiente é muito bom e o procedimento é rápido. Ainda estou em acompanhamento e volto agora este mês para a consulta de retorno. Sempre sou muito bem tratada, graças a Deus”, afirmou.
O caso de Irecê representa a realidade de centenas de mulheres que passaram a ter acesso ao tratamento especializado desde a inauguração do Cepcolu, em março de 2025. A unidade, vinculada à Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon), funciona em modelo hospital-dia e aumentou em seis vezes a capacidade de realização de cirurgias de conização no estado.
Relatos como o de Irecê, na opinião de Marcellus Campêlo, demonstram a importância de ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce da doença. “É uma obra que me orgulho de ter participado da execução, porque é de extrema relevância para a saúde feminina. O câncer do colo do útero é o que mais mata mulheres no Amazonas e o Cepcolu veio para ajudar a mudar essa realidade”, reforçou.
Estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que o Amazonas deverá registrar 610 novos casos de câncer do colo do útero por ano no triênio 2026-2028. A doença continua sendo a de maior incidência entre as mulheres amazonenses.
Desde junho deste ano, o Cepcolu também passou a receber pacientes do interior do estado por meio de agendamento via WhatsApp. Segundo a FCecon, podem ser encaminhadas mulheres com exame histopatológico que confirme lesões de baixo grau persistentes por pelo menos dois anos, além de casos de lesões de alto grau e câncer “in situ”, estágio inicial da doença.










