Caso Renato confirme apoio a Plínio, disputa pelas vagas pode ganhar contornos de confronto entre duas duplas eleitoralmente competitivas
Senado entra em rota de polarização: Alberto e Wilson de um lado; Braga e Plínio do outro

A eleição para o Senado no Amazonas em 2026 começa a ganhar um desenho cada vez mais claro. Caso seja confirmado o apoio do prefeito de Manaus, Renato Júnior (Avante), à reeleição do senador Plínio Valério (PSDB), a disputa poderá caminhar para uma polarização entre quatro nomes: Alberto Neto e Wilson Lima de um lado; Eduardo Braga e Plínio Valério do outro.
A possibilidade deixou de ser apenas especulação de bastidor. Plínio afirmou ao Portal Regional AM que receberá o apoio de Renato Júnior, embora o prefeito ainda não tenha feito o anúncio público. Renato já declarou Eduardo Braga como seu primeiro voto e vinha prometendo revelar posteriormente sua segunda escolha.
A eventual composição criaria uma situação política bastante peculiar. Renato Júnior passaria a trabalhar, na prática, pela reeleição dos dois atuais senadores cujos mandatos estão em disputa em outubro: Eduardo Braga e Plínio Valério.
No outro campo estão duas candidaturas que disputam espaço principalmente entre o eleitorado de centro-direita e direita: Alberto Neto (PL) e Wilson Lima (União Brasi
Alberto aposta na identificação com o eleitorado bolsonarista e conservador, enquanto Wilson chega à eleição depois de dois mandatos como governador e com uma estrutura política construída ao longo de oito anos no comando do Estado.
Mesmo pertencendo a grupos partidários diferentes, os dois tendem a disputar uma parcela semelhante do eleitorado e podem acabar formando, espontaneamente, uma combinação de votos entre eleitores que desejam renovar as duas cadeiras atualmente ocupadas por Braga e Plínio.
É justamente aí que a eleição pode ganhar sua principal linha divisória.
De um lado, dois candidatos tentando chegar ao Senado: Alberto e Wilson.
Do outro, dois senadores tentando permanecer nele: Braga e Plínio.
O peso de Renato Júnior nessa construção está especialmente em Manaus, maior colégio eleitoral do Amazonas.
O prefeito já declarou publicamente apoio a Eduardo Braga. Na ocasião, justificou sua decisão afirmando que levou em consideração os interesses de Manaus e os recursos destinados pelo senador à capital, deixando as questões partidárias em segundo plano.
Há poucos dias, o próprio senador Plinio Valério ainda dizia que não havia conversado com Renato sobre o assunto, embora considerasse importante receber seu apoio. A informação mais recente, entretanto, é de que Plínio já dá o apoio como certo, restando a manifestação pública do prefeito.
Se isso ocorrer, Renato terá montado uma dobradinha extremamente clara para o Senado: Eduardo Braga e Plínio Valério.
A eleição de 2026 tem uma característica fundamental: cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado, porque estarão em disputa as duas cadeiras conquistadas em 2018 justamente por Plínio e Braga.
Mais do que conquistar individualmente o eleitor, os candidatos precisarão disputar também o chamado segundo voto. E é exatamente esse fenômeno que pode estimular a formação de duplas, ainda que algumas delas não sejam oficialmente constituídas.
Braga e Plínio podem ganhar uma combinação eleitoral impulsionada pela Prefeitura de Manaus.
Alberto e Wilson, por sua vez, podem tentar transformar a afinidade de parcelas do eleitorado conservador e de direita em uma combinação capaz de enfrentar os dois atuais senadores.
A eleição pode virar um confronto entre permanência e renovação
Se esse desenho se consolidar, a disputa pelo Senado poderá encontrar uma narrativa simples e poderosa para o eleitor.
Braga e Plínio representam a manutenção das duas cadeiras exatamente como estão hoje. Alberto e Wilson representam a substituição dos dois atuais ocupantes.
É uma configuração que facilita a polarização.
Naturalmente, existem outros candidatos na disputa e a campanha ainda pode alterar significativamente esse cenário. Mas, neste momento, os movimentos políticos começam a concentrar as atenções sobre quatro nomes.
A eventual confirmação de Renato Júnior ao lado de Plínio pode ser justamente a peça que faltava para organizar esse tabuleiro.
A partir daí, a corrida pelas duas vagas do Amazonas no Senado poderá deixar de ser apenas uma disputa individual entre vários candidatos e assumir a forma de um confronto muito mais direto:
E, numa eleição em que cada amazonense terá dois votos, a batalha pelo Senado pode acabar sendo decidida não apenas pelo candidato preferido do eleitor, mas principalmente por quem conseguirá conquistar o seu segundo voto.










