Apoio de Renato Jr. empurra Braga e Plínio para longe dos votos da direita em Manaus

Dobradinha do prefeito reúne um aliado de Lula e um senador que tenta se apresentar como bolsonarista

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O apoio do prefeito Renato Junior (Avante) às candidaturas de Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB) ao Senado pode produzir um efeito contrário ao pretendido: em vez de ampliar as duas campanhas, a aliança tende a afastá-las ainda mais do eleitorado de direita em Manaus.

Renato decidiu entregar seus dois votos aos atuais senadores do Amazonas, repetindo a mesma dupla eleita em 2018. A escolha reforça a imagem de continuidade e coloca Braga e Plínio dentro de um mesmo projeto político, apesar das tentativas de ambos de dialogar com campos ideológicos diferentes.

No caso de Eduardo Braga, o distanciamento da direita é evidente. O senador apresenta-se como candidato de Lula no Amazonas, integra a aliança nacional liderada pelo PT e busca a reeleição ao lado de Omar Aziz, outro importante aliado do presidente no estado.

A situação mais delicada, entretanto, é a de Plínio Valério.

Plínio tenta conquistar o segundo voto dos conservadores ao declarar apoio a Flávio Bolsonaro. O problema é que sua movimentação política aponta para outra direção.

Além da proximidade histórica com Omar Aziz, o senador agora recebe o apoio do mesmo grupo municipal que trabalha pela reeleição de Eduardo Braga. Assim, Plínio tenta pedir voto como candidato da direita, mas aparece politicamente abraçado aos principais aliados de Lula no Amazonas.

Essa contradição dificilmente passará despercebida pelo eleitor conservador.

Não basta declarar voto em Flávio Bolsonaro enquanto se aceita integrar uma dobradinha com Eduardo Braga. Para a direita, coerência política não se resume ao discurso presidencial: também envolve alianças, companhias e os interesses defendidos dentro do estado.

Ao anunciar apoio aos dois atuais senadores, Renato Junior praticamente fundiu as candidaturas de Braga e Plínio em uma chapa informal. A mensagem transmitida ao eleitor é simples: quem votar nos candidatos do prefeito estará escolhendo a manutenção integral da atual representação amazonense no Senado.

A estratégia pode funcionar entre eleitores ligados à máquina municipal, mas encontra resistência em uma capital que, nas últimas eleições, demonstrou forte inclinação conservadora e rejeição aos candidatos associados ao presidente Lula.

Para esse eleitorado, Renato não está oferecendo uma candidatura de direita e outra de esquerda. Está apresentando uma dobradinha sustentada pelo mesmo grupo político, com Braga assumidamente ligado a Lula e Plínio tentando ocupar um espaço conservador que suas próprias alianças colocam em dúvida.

O movimento abre espaço principalmente para Alberto Neto (PL) e Wilson Lima (União Brasil), candidatos que disputam diretamente os votos da direita e não carregam o peso de uma dobradinha com o principal senador lulista do Amazonas.

Como o eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado, cresce a possibilidade de consolidação de um voto casado entre Alberto e Wilson. Ambos podem se beneficiar da percepção de que Plínio se aproximou excessivamente do grupo de Braga, Omar, Renato Junior e David Almeida.

Em uma eleição polarizada, alianças valem tanto quanto discursos. O eleitor observa quem sobe no mesmo palanque, quem participa do mesmo projeto e quem trabalha para eleger quem.

O apoio de Renato Junior fortalece a estrutura política de Braga e Plínio, mas enfraquece o argumento de que o senador tucano seria uma alternativa legítima da direita.

Braga não esconde seu lado. É candidato de Lula e trabalha para mobilizar o eleitorado governista. Plínio, por sua vez, tenta permanecer com um pé na direita e outro no grupo político apoiado pelos adversários dela.

Essa indefinição pode custar caro.

Ao aceitar o abraço de Renato Junior e dividir a preferência do prefeito com Eduardo Braga, Plínio corre o risco de perder exatamente os votos que procura conquistar. A direita poderá concluir que, entre um candidato que apenas declara apoio a Flávio Bolsonaro e nomes efetivamente posicionados no campo conservador, não há razão para escolher a dúvida.

Renato oficializou seus votos. Agora, Braga e Plínio terão de explicar por que o eleitor de direita deveria acompanhar uma escolha que favorece a continuidade dos aliados de Lula no Senado.

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