Braga exibe obras e força no interior, Alberto e Wilson endurecem discurso sobre segurança, enquanto Plínio aposta na independência
Disputa pelo Senado invade televisão e candidatos mostram armas pelas 2 vagas do AM

O primeiro programa eleitoral dos candidatos ao Senado revelou as principais estratégias da disputa pelas duas vagas do Amazonas. Experiência administrativa, investimentos nos municípios, segurança pública, endurecimento das leis e independência política dominaram a estreia na televisão e no rádio.
Eduardo Braga explorou sua relação com os prefeitos e os recursos destinados ao Estado. Alberto Neto apresentou-se como representante do enfrentamento ao crime. Wilson Lima combinou biografia, entregas e pautas conservadoras. Plínio Valério buscou reforçar a imagem de senador independente.
Com duas vagas em disputa, a campanha eleitoral terá uma característica particular: além de conquistar o primeiro voto, os candidatos precisarão convencer o eleitor de que também merecem ser escolhidos como segunda opção.
Braga aposta na experiência e na força dos municípios
Eduardo Braga iniciou sua campanha destacando sua atuação no interior e o relacionamento construído com prefeitos de diferentes partidos.
O programa percorreu regiões do Amazonas e apresentou investimentos nas áreas de saúde, habitação e infraestrutura. Entre os números divulgados pela campanha estão R$ 1,4 bilhão para a saúde, R$ 1 bilhão para habitação e R$ 2,6 bilhões para obras de infraestrutura.
Braga também colocou a BR-319 e a Zona Franca de Manaus no centro da propaganda. Como relator da reforma tributária no Senado, afirmou ter participado diretamente da preservação das vantagens do modelo econômico amazonense.
A estratégia procura consolidar a imagem de um senador experiente, capaz de abrir portas em Brasília, conseguir recursos e manter uma relação próxima com os municípios.
O programa falou especialmente ao interior, onde Braga tradicionalmente apresenta seus melhores resultados eleitorais. Ao dar voz a prefeitos, a campanha também tentou demonstrar capilaridade e força política.
Alberto transforma a segurança em sua principal bandeira
Capitão Alberto Neto apresentou uma propaganda construída em torno do enfrentamento ao crime. O conceito da “tropa do capitão” reforçou sua trajetória como policial militar e sua identificação com o eleitorado conservador.
O candidato defendeu o endurecimento das leis para crimes praticados contra mulheres e crianças. Também voltou a apoiar a castração química de estupradores e abusadores de menores.
A mensagem foi direta e de forte impacto emocional. Alberto tenta consolidar-se como o principal nome da direita na disputa e transformar segurança pública em elemento decisivo para conquistar uma das duas vagas.
Seu desafio será ampliar a pauta para temas como Zona Franca, BR-319, saúde e desenvolvimento econômico, sem perder a identidade que o colocou entre os candidatos mais competitivos.
Wilson une trajetória pessoal, entregas e discurso conservador
Wilson Lima iniciou o programa contando sua própria história. Recordou que chegou a Manaus há cerca de 20 anos carregando uma mochila e que construiu no Amazonas sua família, sua carreira profissional e sua trajetória política.
A propaganda também recuperou ações dos seus dois mandatos como governador, destacando investimentos no interior e programas voltados às famílias de baixa renda.
Na área da segurança, Wilson afirmou que o Brasil possui leis fracas e defendeu mudanças na legislação para crimes contra mulheres e crianças. Assim como Alberto, posicionou-se favoravelmente à castração química de estupradores e abusadores de menores.
A estratégia combina duas imagens: a do ex-governador que possui entregas para apresentar e a do candidato alinhado às pautas conservadoras.
Wilson deverá disputar diretamente parte do eleitorado de direita com Alberto Neto e Plínio Valério, ao mesmo tempo que tenta preservar a base construída no interior durante oito anos de governo.
Plínio tenta consolidar a imagem de senador independente
Plínio Valério utilizou sua estreia para afirmar que não ocupa o Senado para defender políticos, partidos ou os interesses do poder em Brasília.
O candidato procurou apresentar-se como um parlamentar independente, disposto a enfrentar governos e grupos políticos sempre que considerar que os interesses do Amazonas estão ameaçados.
A mensagem reforça uma característica explorada por Plínio ao longo do mandato: o discurso de que não aceita ordens nem se submete às estruturas tradicionais de poder.
Essa narrativa, entretanto, será colocada à prova pelas alianças construídas na campanha. O apoio oficializado pelo prefeito Renato Junior deverá ser comparado pelos adversários com o discurso de independência apresentado na televisão.
Ismael aposta na trajetória comunitária
Ismael Munduruku utilizou seu curto espaço para falar sobre sua atuação comunitária. O candidato afirmou que pretende ampliar para Manaus e para o interior as parcerias e ações desenvolvidas na comunidade onde vive.
As candidaturas com menor estrutura dependerão principalmente das inserções distribuídas ao longo da programação para ampliar seu conhecimento entre os eleitores.
Segurança entra definitivamente na disputa
A estreia mostrou que a segurança pública será uma das principais pautas da corrida ao Senado. Alberto Neto e Wilson Lima apresentaram posições semelhantes sobre o endurecimento das leis e a punição de criminosos sexuais.
Braga seguiu por outro caminho, priorizando experiência, recursos, obras e articulação com os municípios. Plínio procurou diferenciar-se pela independência política.
A batalha pelas duas vagas começa, portanto, com quatro narrativas distintas: a experiência de Braga, a força policial de Alberto, as entregas de Wilson e a independência de Plínio.
O horário eleitoral está apenas começando, mas uma coisa já ficou evidente: conquistar o primeiro voto será difícil; tornar-se a segunda escolha do eleitor poderá ser ainda mais decisivo.









