Governador afirma que um novo mandato será marcado pela revisão de contratos, redução de despesas e redirecionamento de recursos para saúde, educação e segurança
Em quatro meses, Cidade imprime marca própria ao governo e afirma que vai “virar a chave” se reeleito

Em apenas quatro meses à frente do Governo do Amazonas, Roberto Cidade (União) começa a deixar de ser visto apenas como o sucessor de Wilson Lima para construir uma identidade administrativa própria. Com mudanças na gestão, manutenção de programas sociais e uma presença cada vez mais intensa nas ruas, o governador tenta mostrar ao eleitor que conseguiu imprimir seu próprio ritmo ao Executivo estadual.
Cidade assumiu interinamente o governo em abril, após as renúncias de Wilson Lima e Tadeu de Souza, e foi posteriormente escolhido pela Assembleia Legislativa para concluir o mandato. O curto período disponível transformou sua passagem pelo cargo em uma espécie de prova de fogo: administrar o Estado, enfrentar demandas acumuladas e, ao mesmo tempo, apresentar-se como candidato à reeleição.
Mesmo preservando projetos estruturantes herdados da gestão anterior, Cidade passou a colocar sua marca em decisões administrativas, ações sociais e medidas voltadas à saúde, educação, infraestrutura e segurança pública. A estratégia procura combinar continuidade com renovação, evitando uma ruptura com o grupo político que o levou ao governo, mas deixando claro que pretende governar com estilo próprio.
Os primeiros resultados também começam a aparecer na avaliação popular. Levantamentos divulgados por veículos locais indicam que Cidade alcançou 56% de aprovação, contra 24% de desaprovação, após quatro meses no comando do Estado. Os números ajudam a explicar o crescimento do governador nas pesquisas eleitorais e a consolidação de seu nome entre os principais concorrentes ao governo.
Durante entrevista à TV Record, Roberto Cidade afirmou que, caso seja reeleito, pretende promover uma ampla reorganização administrativa a partir de 2027. Entre as medidas anunciadas estão a revisão de contratos, a redução de despesas e a reestruturação da máquina pública.
Segundo o governador, o objetivo é economizar mais de R$ 1 bilhão e direcionar esses recursos para setores considerados prioritários, como saúde, educação e segurança. Cidade resumiu sua proposta afirmando que pretende “virar a chave” do Amazonas no próximo mandato.
A promessa representa uma aposta na eficiência administrativa como argumento eleitoral. Em vez de apresentar apenas novos gastos, Cidade sinaliza que pretende encontrar recursos dentro da própria estrutura do governo, eliminando desperdícios, revendo despesas e redefinindo prioridades.
O governador também tem defendido o fortalecimento dos programas sociais. Entre os compromissos apresentados está a ampliação do Auxílio Estadual Permanente de R$ 150 para R$ 250, além de um benefício diferenciado para mães e pais atípicos.
A principal conquista política de Roberto Cidade nesses primeiros meses talvez tenha sido justamente superar o rótulo de “governador tampão”. O que inicialmente parecia ser apenas uma transição administrativa passou a funcionar como vitrine para sua candidatura.
Cidade utiliza cada entrega, anúncio e agenda pública para reforçar a mensagem de que, apesar do pouco tempo, conseguiu manter o Estado funcionando, iniciar mudanças e estabelecer prioridades. Agora, pede ao eleitor um mandato completo para aprofundar os projetos e executar os ajustes prometidos.
A campanha procura construir uma narrativa simples: quatro meses foram suficientes para mostrar capacidade de trabalho, mas quatro anos seriam necessários para realizar uma transformação mais profunda.
Ao prometer rever contratos, enxugar despesas e investir nas áreas essenciais, Roberto Cidade estabelece também um compromisso que poderá ser cobrado pela população. Se reeleito, não poderá alegar falta de conhecimento sobre a estrutura administrativa, pois já ocupa o principal gabinete do Estado.
Com ritmo acelerado, avaliação positiva e uma marca própria começando a aparecer, Cidade entra na reta decisiva da eleição tentando convencer o eleitor de que sua breve passagem pelo governo não foi apenas uma solução circunstancial, mas o início de um projeto político para os próximos quatro anos.










