Flávio pode alcançar no domingo o que o pai não conseguiu: vencer no primeiro turno

Hipótese depende de uma concentração expressiva de votos na reta final; pesquisas mostram disputa competitiva, mas ainda não apontam maioria suficiente para o candidato do PL encerrar a eleição

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Flávio Bolsonaro (PL) chega à votação deste domingo, 4 de outubro, diante da possibilidade de alcançar uma marca inédita na trajetória eleitoral da família: conquistar a Presidência da República sem precisar de segundo turno. O feito, entretanto, exigiria um avanço expressivo em relação aos números apresentados pelos levantamentos mais recentes.

Jair Bolsonaro disputou duas eleições presidenciais e, em ambas, precisou enfrentar uma segunda votação. Em 2018, recebeu 46,03% dos votos válidos no primeiro turno e venceu no segundo. Em 2022, obteve 43,20% na primeira etapa e acabou derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva na disputa final.

Para superar essa marca, Flávio precisa conquistar mais da metade dos votos válidos — aqueles destinados aos candidatos, excluídos brancos e nulos. Liderar a apuração ou ficar numericamente à frente de Lula, portanto, não basta para encerrar a eleição no domingo.

O que as pesquisas permitem afirmar

Os levantamentos de fim de setembro mostram Flávio competitivo, mas apresentam diferenças relevantes sobre seu desempenho. Na Palver, divulgada no dia 29, ele aparece com 44%, empatado numericamente com Lula. Na Atlas/Bloomberg, também divulgada no dia 29, registra 42,2%, diante de 45,3% do presidente. Já a Quaest, publicada no dia 28, aponta 34% para o senador e 39% para o petista.

A pesquisa Meio/Ideia, divulgada em 30 de setembro, registra 38,4% para Flávio e 39,4% para Lula, em empate técnico. Os demais candidatos ainda ocupam uma parcela significativa da disputa: Augusto Cury tem 6,7%, Renan Santos, 4,5%, e Ronaldo Caiado, 4,4%.

O levantamento RealTime Big Data divulgado nesta quinta-feira, 1º de outubro, apresenta Lula com 43% e Flávio com 39%. Foram entrevistados 2.000 eleitores entre 26 e 30 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e registro BR-09503/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.

A leitura conjunta desses resultados indica que uma vitória de Flávio no primeiro turno dependeria de uma mudança importante nos últimos dias. Nenhum dos percentuais citados, isoladamente, comprova que o candidato já tenha alcançado a maioria necessária.

O caminho para uma vitória antecipada

Uma das possibilidades seria a migração de eleitores de outras candidaturas para Flávio. Caso parte desse eleitorado decida concentrar sua escolha no candidato do PL, o senador poderia ampliar sua votação antes da abertura das urnas.

Essa transferência, porém, não pode ser tratada como automática. Eleitores de outros candidatos podem manter suas escolhas, optar por Lula ou votar em branco e nulo. A existência de votos disponíveis fora dos dois líderes não significa que eles serão incorporados integralmente por um deles.

A definição dos indecisos e o comparecimento às urnas também podem alterar o resultado. Para Flávio encerrar a disputa no domingo, esses movimentos precisariam produzir um saldo suficientemente favorável para levá-lo além de 50% dos votos válidos.

Segundo turno competitivo não significa vitória no primeiro

Outro ponto exige atenção: os resultados de uma simulação de segundo turno não podem ser transportados diretamente para a primeira votação.

Na RealTime Big Data divulgada nesta quinta-feira, Flávio aparece com 46% contra 45% de Lula no confronto direto, em empate técnico. Esse cenário mede uma escolha entre dois candidatos, enquanto o primeiro turno oferece outras opções ao eleitor.

Assim, a competitividade de Flávio em um eventual segundo turno não demonstra, por si só, que ele tenha votos suficientes para dispensar essa etapa.

Uma conquista possível, mas ainda não indicada pelos números

Vencer no primeiro turno daria a Flávio uma conquista que Jair Bolsonaro não alcançou em suas duas campanhas presidenciais. A dimensão histórica do resultado, contudo, precisa ser acompanhada de uma avaliação objetiva das pesquisas.

Até aqui, os levantamentos citados sustentam a existência de uma disputa competitiva e mantêm o segundo turno como o cenário mais compatível com os números. Para transformar a hipótese de vitória antecipada em realidade, Flávio precisaria registrar uma concentração expressiva de votos na reta final ou apresentar nas urnas um desempenho significativamente superior ao medido pelas pesquisas.

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