????Adail Pinheiro quer voltar à Prefeitura de Coari em 2024

Condenado por exploração sexual de crianças e corrupção, o ex-prefeito Adail Pinheiro promoveu um encontro com moradores na cidade de Coari (a 362 quilômetros de Manaus), na semana de Natal e denotou comportamento de pré-candidato às eleições de 2024, segundo a Revista Cenarium. O ex-prefeito está com os direitos políticos suspensos após consecutivas condenações colegiadas. …

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Condenado por exploração sexual de crianças e corrupção, o ex-prefeito Adail Pinheiro promoveu um encontro com moradores na cidade de Coari (a 362 quilômetros de Manaus), na semana de Natal e denotou comportamento de pré-candidato às eleições de 2024, segundo a Revista Cenarium. O ex-prefeito está com os direitos políticos suspensos após consecutivas condenações colegiadas.

“Não adianta tentar deturpar as coisas, confundir a cabeça da população. Esse aqui é Adail Pinheiro que voltou, que gosta do povo”, disse o ex-prefeito, que prometeu um cartão de Natal aos moradores. “Esperem, vocês vão receber um cartão de Natal na casa de vocês”, disse, e finalizou: “Eu gosto e amo vocês”, afirmou Adail em vídeo vazado nesta quarta-feira, 27. Os moradores da cidade de Coari informaram que o cartão de Natal chegou às casas apenas com felicitações.

A Justiça do Amazonas condenou Adail Pinheiro, em novembro de 2014, a 11 anos e dez meses de prisão pelos crimes de favorecimento à prostituição, indução à satisfação de impulsos sexuais e por submeter crianças e adolescentes à prostituição e exploração sexual (pedofilia).

Adail recebeu indulto e teve pena de prisão extinta, em janeiro de 2017, após se enquadrar nos requisitos do perdão presidencial, cujas regras foram estabelecidas pelo ex-presidente Michel Temer (MDB). A decisão foi tomada pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que teve o parecer favorável do Ministério Público do Amazonas (MPAM).

Em setembro de 2021, os desembargadores de Câmaras Reunidas do TJAM negaram o pedido de Adail Pinheiro para anular a condenação dele por exploração sexual de crianças. Adail queria a suspeição do desembargador aposentado Rafael Romano, relator da ação penal, que resultou na condenação do ex-prefeito sob a justificativa de Romano ter sido condenado a 47 anos por abusar da própria neta quando ela tinha sete anos.

O relator do pedido de anulação da sentença, o desembargador Abraham Peixoto Campos Filho, votou contra o pedido de reavaliação, considerando a solicitação improcedente, e foi acompanhado pelos demais magistrados. Abraham afirmou que os argumentos de Adail Pinheiro, de falta de parcialidade no julgamento por conta da condenação do juiz Rafael Romano por estuprar a neta, não se aplica ao caso.

Uma série de reportagens do Fantástico, da Rede Globo, mostrou, no início de 2013, depoimentos de adolescentes e familiares, além de outras testemunhas, que apontavam Adail como chefe de uma quadrilha que explorava sexualmente meninas de 9 a 15 anos. A polícia conseguiu descobrir o crime após interceptação de conversas na Operação Vorax da Polícia Federal (PF).

“Eu tinha nove anos. E a minha mãe cozinhava no barco. Eu ficava lá brincando, enquanto minha mãe estava trabalhando. Ele me estuprou dentro do barco mesmo, entendeu? Eu fiquei muito apavorada, com vergonha, nunca consegui colocar isso para fora. Hoje em dia, ele quer a minha filha”, contou uma vítima. “Ela tem 11 anos, então, ele está destruindo a minha vida inteira, porque aconteceu comigo, aconteceu com o meu sangue e, agora, ele quer a minha filha. É monstruoso demais”.

Operação Vorax

O ex-prefeito Adail Pinheiro e um grupo formado por secretários e políticos aliados a ele foram alvos da Operação Vorax, em 2008, que apontou um desvio de mais de R$ 46 milhões da Prefeitura de Coari, originados de convênios federais e repasses de royalties da Petrobras.

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