????Presidente do Equador declara conflito armado interno e põe Exército contra facções

Em meio à escalada de violência no Equador, que inclui a tomada de uma emissora de TV ao vivo por criminosos, o presidente Daniel Noboa decretou, na terça-feira (9), conflito armado interno no país. A medida autoriza a intervenção do Exército e da Polícia Nacional no país contra facções criminosas e identifica como organizações terroristas …

Compartilhar em:

Em meio à escalada de violência no Equador, que inclui a tomada de uma emissora de TV ao vivo por criminosos, o presidente Daniel Noboa decretou, na terça-feira (9), conflito armado interno no país.

A medida autoriza a intervenção do Exército e da Polícia Nacional no país contra facções criminosas e identifica como organizações terroristas 22 facções criminosas e atores beligerantes não estatais.

Além disso, foi determinado às Forças Armadas a execução de operações militares para neutralizar os grupos criminosos, respeitando os direitos humanos.

O país vive uma crise de segurança há dois dias. Noboa decretou na segunda (8) estado de exceção depois da fuga da prisão de um criminoso conhecido como Fito, chefe do grupo Los Choneros. O decreto segue em vigor e estabelece toque de recolher entre 23h e 5h.

Na terça-feira (9), as autoridades relataram a fuga de outro criminoso: Fabricio Colón Pico, um dos líderes de Los Lobos, preso na sexta-feira (5) pelo crime de sequestro e por suposta responsabilidade em um plano para assassinar a procuradora-geral do país.

Novo presidente
Noboa, de 36 anos, é o presidente mais jovem do Equador e chegou ao poder com a promessa de atacar com firmeza os grupos de traficantes, ligados a cartéis colombianos e mexicanos. Ele foi eleito em outubro.

O estado de exceção estará em vigor por 60 dias em todo o país, incluindo as penitenciárias. A medida inclui um toque de recolher de seis horas, entre 23h e 5h, horário local (das 01h às 07h em Brasília).

A sede presidencial e as estações de metrô de Quito estão militarizadas.

A declaração de estado de exceção permite às Forças Armadas intervir no sistema prisional, onde na segunda-feira (8) se registrou a retenção de um número indeterminado de guardas. O órgão que o administra (SNAI) não indicou se eles foram libertados.

“Não vamos negociar com terroristas nem descansaremos até devolvermos a paz aos equatorianos”, afirmou Noboa, em vídeo publicado em sua conta no Instagram. O presidente atribuiu o ataque às prisões como uma retaliação por suas ações para “recuperar o controle oficial” dos presídios.

Noboa anunciou na semana passada que construirá dois presídios de segurança máxima nas províncias de Pastaza e Santa Elena, ao estilo dos construídos pelo presidente salvadorenho, Nayib Bukele, em sua guerra contra as gangues.

Nesta terça-feira (8), indígenas da Amazônia convocaram protestos pacíficos para rejeitar este projeto prisional em seu território biodiverso e produtor de petróleo.

Guerra às drogas
Localizado entre a Colômbia e o Peru, os maiores produtores mundiais de cocaína, o Equador deixou de ser uma ilha de paz para se tornar um forte de guerra às drogas. O ano de 2023 terminou com mais de 7,8 mil homicídios e 220 toneladas de drogas apreendidas, novos recordes no país de 17 milhões de habitantes.

Desde 2021, os confrontos entre presidiários deixaram mais de 460 mortos. Além disso, os homicídios nas ruas entre 2018 e 2023 cresceram quase 800%, passando de 6 para 46 por 100 mil habitantes.

Compartilhar em: