????Programa para idosos faz universidades receber 8 mil alunos com mais de 60 anos; conheça

Ao se aposentar, após trinta anos como professora de Biologia, Neuza Guerreiro Carvalho decidiu se dedicar a tudo o que nunca tinha estudado até então. Para concretizar o plano ousado, Neuza buscou o USP60+, programa de extensão que oferece cursos e atividades para o público mais velho, além de participação em disciplinas regulares das graduações, …

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Ao se aposentar, após trinta anos como professora de Biologia, Neuza Guerreiro Carvalho decidiu se dedicar a tudo o que nunca tinha estudado até então. Para concretizar o plano ousado, Neuza buscou o USP60+, programa de extensão que oferece cursos e atividades para o público mais velho, além de participação em disciplinas regulares das graduações, junto com os jovens universitários.

Ao longo de uma década, participou de mais de 50 formações: História, Artes Plásticas, Sociologia, Literatura. Foram tantos que Neuza se tornou, ela mesma, professora de um dos cursos oferecidos ao público mais idoso: Resgate de Memórias Autobiográficas, que será ministrado este ano.

“Teve época em que fazia cursos de manhã e de tarde”, lembra Neuza, prestes a completar 94 anos – quatro a mais que a própria Universidade de São Paulo, que fez aniversário no fim de janeiro.

Para este ano, as inscrições estarão abertas a partir de 29 de janeiro para qualquer pessoa que tiver mais de 60 anos. São mais de duzentas atividades como excursões, palestras e aulas de ginástica, além das disciplinas regulares, sobre os mais variados temas. Os cursos ocorrem na capital e também nos câmpus do interior.

“A ideia do programa USP60+ é fornecer à população acima dos 60 anos oportunidades para o aprendizado ao longo da vida. Outro fator importante é o encontro de gerações. Nós inovamos (em relação a programas do exterior), ao acrescentarmos a intergeracionalidade, essa troca de experiências dentro de sala de aula com alunos da graduação”, afirmou o médico Egídio Dórea, coordenador do programa.

“Outro fator importante é o encontro de gerações. Nós inovamos (em relação a programas do exterior), ao acrescentarmos a intergeracionalidade, essa troca de experiências dentro de sala de aula com alunos da graduação”, destaca ele.

A professora Maria Aparecida Nicoletti, que coordena o programa de palestras na Faculdade de Ciências Farmacêuticas, no Butantã, zona oeste paulistana, contou que os idosos passaram a fazer parte da comunidade acadêmica.

“Eles passaram a nos ver como família, referência de segurança. Ajudamos a pagar boletos, acessar a internet, tudo isso”, afirma.

Professora da Escola de Artes, Ciências e Humanidades, a USP Leste, Beatriz Aparecida Ozello Gutierrez ministra disciplinas dadas aos idosos. “Há troca rica em sala de aula entre os idosos e os jovens”, relata. “Eles saem juntos, vão a restaurantes, bares, fazem comemorações. É um vínculo forte.”

Segundo ela, o convívio social é importante para o idoso, inclusive do ponto de vista da saúde. “Percebemos que muitos chegam com sintomas de depressão e ansiedade e, com o tempo, o convívio faz com que reduzam medicamentos”, afirma Beatriz. “A partir do momento em que ajudamos o idoso a se valorizar mais, a usar sua autonomia, eles se sentem melhor.”

Viúva há 24 anos, Neuza mora sozinha, mas garante não sentir solidão. Além dos cursos, participa de grupos de leitura. Acaba de descobrir os livros de Walter Hugo Mãe e está extremamente curiosa com o escritor português.

“Já fui procurar por outros livros dele”, conta. “Sempre estou atrás de algo diferente, conhecer coisas novas. Vivo no mundo atual. Embora more sozinha, não me sinto nada sozinha, tenho muitos amigos e interesses.”

Fonte: Estadão Conteúdo

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