O anúncio feito pelos ministérios dos Transportes (MT) e do Meio Ambiente (MMA) sobre a criação do Plano BR-319, que promete destravar o licenciamento ambiental da repavimentação da rodovia Manaus–Porto Velho, esconde uma ou várias "pegadinhas" que no final seguirão inviabilizando a obra. A principal crítica é a substituição do EIA-RIMA, já aprovado pelo Ibama …
Acordo para destravar BR-319 “esconde” pegadinhas

O anúncio feito pelos ministérios dos Transportes (MT) e do Meio Ambiente (MMA) sobre a criação do Plano BR-319, que promete destravar o licenciamento ambiental da repavimentação da rodovia Manaus–Porto Velho, esconde uma ou várias “pegadinhas” que no final seguirão inviabilizando a obra.
A principal crítica é a substituição do EIA-RIMA, já aprovado pelo Ibama desde 2022, por uma nova Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), o que, segundo opositores, representa retrocesso e mais anos de atraso. “Estamos voltando à estaca zero. Isso não é avanço, é atraso crônico”, afirmou o ex-deputado Marco Antônio Chico Preto.
O senador Plínio Valério (PSDB) classificou a medida como “balela”. Segundo ele, o novo estudo levará meses para começar e seus resultados só devem aparecer às vésperas das eleições, sendo engavetados mais uma vez. A nova avaliação será feita por uma empresa contratada pela Infra S/A e cobrirá uma “zona crítica de impacto” de 50 km de cada lado da rodovia não pavimentada, totalizando uma área de 40 mil km² – quatro vezes o tamanho de Manaus.
Nos bastidores, até aliados do governo demonstram desconfiança, lembrando que essa “estratégia de empurrar com a barriga” já foi usada três vezes desde o segundo mandato de Lula. Estudos da Ufam, do governo Dilma e do governo Bolsonaro foram ignorados ou anulados com exigências de novos relatórios.
A terceira “pegadinha”, segundo críticos, é a complexidade da biodiversidade da região. Um único hectare pode conter mais espécies de árvores que toda a Europa temperada. “Mapear tudo isso vai levar uma eternidade”, diz um petista local.
O plano prevê ainda ações de regularização fundiária, proteção de terras indígenas, incentivo a cadeias produtivas e agroflorestais, monitoramento do desmatamento e escuta às comunidades locais. Mas, para muitos, o real objetivo ainda parece distante.
Fonte: Rede Onda Digital
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