Editorial Foco no Fato
A velha política ainda não entendeu o recado de Manaus

Omar e Eduardo representam um passado que o eleitor da capital vem rejeitando desde 2018, mas continuam agindo como se o Amazonas ainda estivesse preso aos mesmos sobrenomes
Existe uma mensagem sendo repetida pelo eleitor de Manaus desde 2018: a capital não aceita mais passivamente o revezamento dos mesmos grupos no comando político do Amazonas.
Durante décadas, Amazonino Mendes, Eduardo Braga e Omar Aziz ocuparam os principais espaços de poder do Estado. Foram governadores, senadores, ministros, candidatos e aliados em diferentes momentos. Divergiram quando lhes foi conveniente e voltaram a caminhar juntos sempre que a preservação do poder falou mais alto.
O problema é que Manaus mudou e eles parecem não ter percebido.
A população da capital passou a procurar alternativas, novos nomes e projetos que representassem alguma possibilidade de renovação. Não se trata apenas de uma rejeição pessoal. É o desgaste provocado pela repetição das mesmas promessas, dos mesmos discursos e das mesmas soluções apresentadas por políticos que já tiveram tempo e poder suficientes para colocá-las em prática.
Em 2018, Eduardo Braga quase perdeu sua vaga no Senado para Luiz Castro, que, mesmo sem dispor da mesma estrutura política, chegou muito perto de derrotá-lo. Naquele mesmo ano, Wilson Lima, então considerado uma novidade, venceu Amazonino Mendes de maneira incontestável na disputa pelo Governo do Amazonas.
Em 2022, o recado foi repetido.
Omar Aziz, com toda a força de sua estrutura política, quase perdeu a eleição para o então Coronel Menezes. Na disputa pelo Governo, Wilson Lima voltou a derrotar um dos principais representantes da velha política, desta vez Eduardo Braga, conquistando a reeleição com uma vantagem expressiva.
Não foram acontecimentos isolados. Foram sinais sucessivos de uma transformação no comportamento do eleitorado.
Manaus demonstra possuir uma resistência cada vez maior aos projetos que tentam ressuscitar o passado como se fossem novidade. O eleitor da capital conhece os personagens, lembra de suas administrações e sabe que muitos dos problemas apresentados atualmente como bandeiras de campanha já existiam quando esses mesmos políticos comandavam o Estado.
Omar e Eduardo falam em soluções para problemas que atravessaram seus próprios governos. Defendem mudanças depois de décadas participando diretamente das decisões mais importantes do Amazonas. Apresentam-se como alternativa quando, na realidade, representam a continuidade do mesmo grupo que se reveza no poder há mais de 30 anos.
É justamente aí que está a dificuldade da dupla em Manaus.
O eleitor mais informado não analisa apenas o discurso da campanha. Compara promessas com resultados, confronta declarações com trajetórias e pergunta por que determinadas soluções não foram implantadas quando seus defensores controlavam o Governo do Estado, o Senado e importantes ministérios.
A união de Omar Aziz e Eduardo Braga pode reunir partidos, prefeitos, estruturas e recursos. Mas existe algo que nenhuma aliança política consegue fabricar artificialmente: o desejo de mudança.
A eleição de 2026 será mais uma oportunidade para verificar se o recado iniciado em 2018 continua vivo. As pesquisas mais recentes indicam uma disputa aberta e mostram o crescimento de candidaturas que tentam ocupar justamente o espaço da renovação.
Omar e Eduardo ainda possuem força política, experiência e estruturas poderosas. Seria um erro subestimá-los. Mas também seria um erro ainda maior ignorar o sentimento de uma capital que há duas eleições demonstra cansaço diante dos mesmos nomes.
Eles podem controlar partidos, construir grandes coligações e reunir antigos aliados. O que não conseguem controlar é a memória do eleitor.
Omar Aziz e Eduardo Braga representam o passado que insiste em voltar. Manaus, entretanto, vem demonstrando desde 2018 que deseja caminhar em outra direção.
Eles ainda não compreenderam o recado.
O eleitor, ao que tudo indica, compreendeu há muito tempo.










