Amom e Rodrigo Guedes derrotam irmãos Câmara e encerram ciclo político da família no Amazonas

Parlamentares disputam vagas na Câmara e Aleam pelo mesmo partido

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Silas Câmara fica sem mandato após quase três décadas na Câmara Federal; Dan Câmara também perde espaço na Aleam. Dentro do próprio Republicanos, Amom Mandel e Rodrigo Guedes protagonizam a derrota dupla da família.

As eleições de 2026 marcaram uma das mudanças mais simbólicas da política amazonense nos últimos anos. Depois de décadas de presença da família Câmara no Legislativo, Silas e Dan Câmara terminaram a eleição sem mandato, enquanto Amom Mandel e Rodrigo Guedes conquistaram as vagas do Republicanos nas disputas federal e estadual.

Na Câmara dos Deputados, Amom Mandel recebeu 119.480 votos, contra 93.592 de Silas Câmara. Como o Republicanos conseguiu apenas uma cadeira, a vaga ficou com Amom.

Na Assembleia Legislativa, o cenário se repetiu: Rodrigo Guedes recebeu 42.295 votos e foi eleito, enquanto Dan Câmara ficou com cerca de 32,4 mil votos e não conseguiu renovar o mandato.

A estratégia com Amom que terminou contra Silas

A derrota de Silas ganha ainda mais peso pela forma como a chapa foi construída.

A chegada de Amom Mandel ao Republicanos era vista como uma movimentação estratégica. Dono de uma votação histórica em 2022, Amom teria força para elevar o desempenho da legenda e ajudar o partido a conquistar mais de uma cadeira para deputado federal.

Na prática, ele funcionaria como um grande puxador de votos.

A estratégia, porém, terminou da pior forma possível para Silas.

O Republicanos conquistou apenas uma vaga e Amom terminou 25.888 votos à frente de Silas. Ou seja: o deputado que poderia ajudar a ampliar a bancada acabou ficando justamente com a única cadeira disponível.

O puxador de votos puxou apenas a própria vaga.

Amom vence, mas perde grande parte do capital eleitoral de 2022

Apesar da vitória sobre Silas, Amom também saiu das urnas com um sinal de alerta.

Em 2022, ele fez história ao receber 288.555 votos, tornando-se o deputado federal mais votado da história do Amazonas e um dos maiores fenômenos eleitorais daquele pleito.

Quatro anos depois, caiu para 119.480 votos.

Foram 169.075 votos a menos, uma redução de aproximadamente 58,6%.

Mesmo com uma perda expressiva de capital eleitoral, Amom ainda manteve força suficiente para ser reeleito e, principalmente, superar um dos políticos mais tradicionais do estado.

Silas deixa Brasília após quase três décadas

Para Silas Câmara, o resultado representa o fim de um ciclo iniciado ainda em 1998.

Ele foi eleito deputado federal pela primeira vez naquele ano e acumulou sete mandatos consecutivos, permanecendo por quase 28 anos na Câmara dos Deputados.

Em 2022, Silas havia recebido 125.068 votos. Em 2026, caiu para 93.592, uma redução de aproximadamente 25%.

Mesmo terminando entre os candidatos mais votados do Amazonas, ficou sem mandato por causa da distribuição proporcional das cadeiras.

Depois de quase três décadas em Brasília, Silas estará fora da Câmara dos Deputados a partir de 2027.

Rodrigo Guedes completa a derrota dos Câmara

Na disputa estadual, Rodrigo Guedes completou a derrota política da família.

O vereador recebeu 42.295 votos e garantiu uma cadeira na Assembleia Legislativa. Dan Câmara, irmão de Silas e deputado estadual eleito em 2022, terminou com cerca de 32,4 mil votos e ficou de fora.

Curiosamente, Dan aumentou sua votação.

Em 2022, havia sido eleito com 21.770 votos. Em 2026, cresceu para mais de 32 mil, mas ainda assim não conseguiu renovar o mandato.

Dentro do Republicanos, Rodrigo Guedes foi quem ficou com a vaga.

O fim de um ciclo

O resultado de 2026 produz uma imagem simbólica para a política do Amazonas.

De um lado, Silas Câmara, deputado federal por sete mandatos consecutivos, deixa Brasília.

Do outro, Dan Câmara, que representava a família na Assembleia Legislativa, também fica sem mandato.

E os dois foram superados, dentro do próprio partido, por nomes de outro momento político: Amom Mandel, na disputa federal, e Rodrigo Guedes, na estadual.

Depois de décadas de presença nos Legislativos, a família Câmara fica, ao menos por agora, sem representantes eleitos na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Amazonas.

Em 2026, o Republicanos não apenas mudou seus representantes. Mudou também o centro de poder dentro da própria legenda.

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