Decisão atende a uma solicitação feita horas antes pelo presidente do Supremo, Edson Fachin
André Mendonça atende determinação e retira sigilo do Caso Master

Ao retirar o sigilo das investigações sobre o Banco Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (10), o ministro André Mendonça tornou pública parte dos documentos do caso. Entre os materiais liberados estão apurações que envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso em Brasília.
Entretanto, outras frentes das investigações não tiveram o sigilo derrubado, como as apurações sobre o filme “Dark Horse” e a relação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima.
A decisão de Mendonça atende a uma solicitação feita horas antes pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, e libera o acesso a um conjunto de inquéritos, reclamações e petições vinculados ao caso.
‘Dark Horse’
O filme “Dark Horse” (termo em inglês para “azarão”) contará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ainda não foi lançado. O longa ganhou notoriedade após a divulgação, pelo site Intercept Brasil, de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, e Vorcaro, em que o filho de Jair solicita recursos para financiar a produção cinematográfica.
Flávio é investigado pela PF por possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção, segundo os documentos divulgados pelo Supremo nesta sexta (11).
Vorcaro ajudou a financiar o filme, e as negociações envolveram contatos diretos com o filho mais velho do ex-presidente, que pediu dinheiro e pressionava pelos pagamentos.
O banqueiro chegou a pagar R$ 61 milhões aos produtores do filme, via fundo nos Estados Unidos.
Segundo o site “The Intercept Brasil”, Flávio Bolsonaro teria negociado o repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na época, para financiar o filme.
R$ 75,1 milhões – valor que a produtora diz ter gasto;
R$ 61 milhões – valores que Daniel Vorcaro teria destinado ao filme via fundo nos EUA;
R$ 134 milhões – valor que Flávio Bolsonaro teria negociado antes de Vorcaro ser preso;
R$ 108 milhões – valor do contrato entre ONG de Karina da Gama, produtora do filme, e a Prefeitura de SP para instalação de wi-fi na capital paulista. O contrato é investigado pelo MP e Polícia Civil.
Jaques Wagner
Sobre a relação do senador Jaques Wagner com sócio de Daniel Vorcaro, os investigadores identificaram 74 ligações telefônicas entre Wagner e o banqueiro Augusto Lima, que também é investigado por supostas fraudes financeiras.
A PF aponta que Jaques Wagner atuou em defesa de interesses do Banco Master no Congresso e, em troca, recebeu vantagens indevidas — como um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, e repasses a empresas ligadas a familiares do parlamentar.
A crise no STF envolvendo Mendonça e Moraes começou a partir de decisões nas investigações sobre o Banco Master. Envolveu também o procurador-geral da República, Paulo Gonet, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e, posteriormente, o ministro Flávio Dino.
Antes da divulgação do relatório que desencadeou a sequência de decisões, já havia divergências entre o gabinete de André Mendonça e a direção da PF sobre o andamento das investigações do caso Master.
Mendonça é relator de apurações relacionadas ao banco e de um inquérito sobre repasses para a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia orientado Andrei Rodrigues a procurar o ministro para discutir a relação entre a PF e o gabinete do relator.
Fonte: g1










