Material recolhido na ação do Alemão e da Penha atinge diretamente o núcleo financeiro e operacional das facções
Armamento de guerra apreendido em operação no Rio é avaliado em R$ 12,8 milhões

O armamento de guerra apreendido em posse de criminosos durante a megaoperação “Contenção” no Rio de Janeiro, realizada na última semana contra o Comando Vermelho, foi avaliado em R$ 12,8 milhões, segundo levantamento técnico da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (CFAE).
Considerada a maior operação da história do estado fluminense, a ação resultou na morte de 121 pessoas, sendo a maioria delas integrantes de facções criminosas, de acordo com as forças de segurança. Quatro policiais também perderam a vida durante o confronto.
O rastreamento conduzido pela Polícia Civil do Rio de Janeiro apontou que parte do arsenal tem origem em diversos países, incluindo Venezuela, Argentina, Peru, Bélgica, Rússia, Alemanha e Brasil. Entre os modelos apreendidos estão fuzis de uso militar, como AK-47, AR-10, G3, FAL e AR-15, além de armas montadas com peças contrabandeadas e outras desviadas das Forças Armadas.
“Cada fuzil retirado de circulação representa uma vida salva. Vamos continuar enfrentando quem lucra com o medo e com a morte. O Estado está presente, atuando com rigor e estratégia para enfraquecer o poder do narcotráfico e devolver o Rio de Janeiro aos cidadãos de bem”, declarou o governador Cláudio Castro.
Rota internacional e narcoterrorismo
O secretário da Polícia Civil, delegado Felipe Curi, destacou que o rastreamento das armas é essencial para atingir o núcleo financeiro e operacional das facções criminosas.
“Estamos diante de um arsenal típico de cenário de guerra. Essas armas são utilizadas nas guerras mais violentas do mundo, como na Síria e no Iêmen. Identificar as rotas e os responsáveis pela chegada dessas armas ao Rio é o próximo passo para enfraquecer o poder bélico das organizações criminosas. O narcoterrorismo se combate com inteligência, integração e ação coordenada, mas também com atuações ostensivas”, afirmou Curi.

O delegado Vinícius Domingos, da CFAE, revelou que algumas armas traziam inscrições e símbolos de quadrilhas de outros estados, indicando a expansão nacional da facção Comando Vermelho.
“Nas gravações e inscrições, encontramos referências a grupos como a Tropa do Lampião, formada por criminosos vindos do Nordeste e associados ao Comando Vermelho. É uma evidência da expansão da facção para outras regiões do país”, explicou Domingos.
Próximos passos
Todo o material apreendido está sob perícia técnica. A Polícia Civil informou que compartilhará dados com o Exército Brasileiro para rastrear a origem de armamentos desviados e identificar eventuais falhas nos controles de armamento nacionais e internacionais.











