Avaliações feitas na emissora apontam erros estratégicos, dificuldade de reação e perda de protagonismo do petista
Até na Globo: analistas veem campanha de Lula sem rumo, enquanto eleição se inclina para Flávio Bolsonaro

O sinal de alerta deixou os bastidores do Partido dos Trabalhadores e chegou à tela da Globo. Durante a análise do cenário eleitoral, comentaristas da emissora fizeram uma avaliação dura sobre o desempenho do presidente Lula: a campanha petista estaria perdida politicamente, sem rumo definido e com dificuldades para conter o crescimento de Flávio Bolsonaro.
A análise não significa que a eleição esteja matematicamente decidida. Mostra, porém, que Lula perdeu o controle da narrativa e assiste ao adversário avançar justamente no momento decisivo da campanha.
Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta semana colocou Flávio numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno. Outro levantamento, analisado na própria Globo, mostrou o candidato do PL com 42% e o petista com 40%, dentro da margem de erro. O resultado confirma uma disputa apertada, mas revela uma mudança importante na trajetória da eleição: Flávio cresce, enquanto Lula luta para impedir o aprofundamento do desgaste.
Os comentários exibidos pela Globo expõem problemas que já preocupam a direção do PT: dificuldade de mobilização, erros de comunicação, falta de uma mensagem capaz de empolgar o eleitorado e uma campanha excessivamente dependente de ataques contra Flávio Bolsonaro.
Enquanto Lula tenta transformar a eleição em uma repetição do confronto de 2022, Flávio procura apresentar-se como o nome da renovação da Direita e o herdeiro político do movimento liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A estratégia petista de concentrar a propaganda negativa no candidato do PL também não produziu, até agora, o efeito esperado. Ao contrário: Flávio ampliou sua exposição nacional, consolidou-se como principal adversário do presidente e passou a disputar diretamente a liderança.
O crescimento de Flávio já produz efeitos políticos e econômicos. O novo cenário eleitoral repercutiu no mercado financeiro e aumentou a percepção de que a eleição deixou de ter Lula como favorito isolado.
Além dos números, o candidato do PL demonstra maior capacidade de mobilização e arrecadou de pessoas físicas três vezes o valor recebido por Lula até o momento: R$ 1,5 milhão contra R$ 500 mil.
Esses indicadores não autorizam afirmar que o resultado esteja definido, mas sustentam uma conclusão política: o favoritismo de Lula desapareceu e a candidatura de Flávio Bolsonaro adquiriu força real para vencer a eleição.
Quando avaliações negativas sobre Lula partem de comentaristas da própria Globo, emissora frequentemente acusada pela Direita de adotar tratamento mais favorável ao petista, o impacto político ganha outra dimensão.
A campanha ainda está em andamento, e pesquisas representam o retrato de cada momento. Entretanto, a tendência observada é desconfortável para o Palácio do Planalto: Lula perde terreno, o PT procura uma reação e Flávio Bolsonaro avança.
A eleição ainda não terminou, mas o caminho que parecia aberto para Lula agora começa a apontar na direção de Flávio Bolsonaro.










