Bianca Guedes dá show de superação, vence hipotermia e garante vaga para o Mundial de Kona no Ironman da África do Sul

A triatleta brasileira Bianca Guedes protagonizou uma das histórias mais emocionantes do Ironman South Africa 2025, ao completar a prova em 11h34min14s, conquistando o 6º lugar na categoria F30-34, sendo a melhor sul-americana da competição e garantindo a tão sonhada vaga para o Mundial de Kona, no Havaí — o evento mais prestigiado do triatlo …

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A triatleta brasileira Bianca Guedes protagonizou uma das histórias mais emocionantes do Ironman South Africa 2025, ao completar a prova em 11h34min14s, conquistando o 6º lugar na categoria F30-34, sendo a melhor sul-americana da competição e garantindo a tão sonhada vaga para o Mundial de Kona, no Havaí — o evento mais prestigiado do triatlo mundial.

Para quem não conhece, o Ironman 140.6 é a distância máxima do triatlo: 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,2 km de corrida (uma maratona completa). A prova exige um nível altíssimo de preparação física e mental, sendo considerada um dos maiores desafios do esporte mundial.

Apenas os melhores atletas do mundo conseguem uma vaga para o Ironman World Championship, em Kona, no Havaí, local onde o Ironman nasceu e onde se reúnem os mais fortes e consistentes triatletas da temporada. Participar do Mundial de Kona é o equivalente, para um triatleta amador ou profissional, a disputar a final da Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos da modalidade.

Uma prova que começou antes da largada

No dia anterior, os preparativos incluíam check-up da bike, revisão da alimentação e alinhamento mental com o treinador. A noite de sono foi curta. Às 4h da manhã, o ritual começou: alimentação, mentalização e ida para a largada. A confiança era grande, mesmo com o frio previsto.

Bianca percebeu que seria uma das poucas a nadar com roupa de borracha sem manga — escolha pessoal por conforto. Mas mal sabia ela o desafio que enfrentaria no mar gelado.

Natação dramática e quadro de hipotermia

Logo nos primeiros metros no mar, as correntes, ondas e o frio começaram a castigar. Após completar a primeira metade (1.9 km), ela esperava que a organização cancelasse a segunda volta, como chegou a acontecer em edições anteriores. Mas não foi o caso. Bianca retornou ao mar já com o corpo trêmulo e enfrentou um dos piores momentos da carreira.

Saiu da água em 1h38min, tremendo, sem conseguir correr para a transição. Precisou de ajuda para retirar a roupa e quase foi retirada da prova pelos médicos. Passou mais de 8 minutos tentando estabilizar o corpo até ser liberada para continuar.

Mesmo abalada, seguiu para a bike sem saber sua colocação exata, que era a 86ª entre as mulheres amadoras.

Recuperação impressionante no ciclismo

Apesar das dores abdominais causadas pela água do mar e do frio cortante, Bianca manteve o plano de prova. Aos poucos, foi ganhando confiança, encontrando ritmo e ultrapassando adversárias. Concluiu os 180 km de ciclismo em 5h58min, com média de 30,1 km/h e mais de 50 ultrapassagens entre as mulheres do geral amador.

Finalizou a etapa já entre as 30 melhores do geral feminino.

Corrida com força mental e emoção

Na segunda transição, ao colocar os pés no chão para correr, percebeu que nunca havia chegado tão bem fisicamente numa maratona de Ironman. Iniciou a corrida com ritmo firme e um sorriso no rosto que chamou atenção do público. Mesmo com o calor e subidas exigentes em quatro voltas pela orla, manteve a consistência.

Ao passar pelos 30 km, o cansaço bateu, mas o coração empurrou onde as pernas já não conseguiam. Ganhou posições até o fim e finalizou os 42,2 km em 3h45min, subindo para 6º lugar na categoria e 16º no geral feminino amador.

Classificada para Kona

Bianca cruzou a linha de chegada com a bandeira do Brasil nas mãos e uma emoção difícil de descrever. Mesmo após a prova, sentiu-se física e mentalmente melhor do que em qualquer outro Ironman que já havia feito. E, no momento da cerimônia, seu nome foi anunciado entre os classificados para o Ironman World Championship Kona 2025.

Agora, ela se prepara para representar o Brasil no berço do Ironman. Correr em Kona é fazer história no triatlo. É estar entre os melhores do mundo, no local onde tudo começou. E Bianca estará lá — levando com ela a força, a garra e a superação que a trouxeram até aqui.

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