Senador chega competitivo à eleição de 2026, mas retrospecto mostra que sua força eleitoral tem sido muito maior no interior; aproximação com o prefeito Renato Jr. pode ser peça estratégica para reduzir essa diferença
Braga aposta em Renato Jr. para conquistar em Manaus os votos que a capital lhe negou nas últimas eleições

A matemática eleitoral de Eduardo Braga (MDB) para conquistar mais um mandato no Senado passa, necessariamente, por Manaus. Embora o senador apareça na liderança de diferentes pesquisas realizadas em 2026, uma retrospectiva das últimas eleições revela uma característica importante de seu desempenho: Braga historicamente encontra no interior uma força eleitoral muito maior do que aquela registrada na capital.
É justamente nesse ponto que o apoio do prefeito Renato Jr. ganha peso estratégico.
Com a máquina municipal, presença diária nos bairros e uma administração que busca construir sua própria identidade política, Renato pode funcionar como uma ponte entre Braga e um eleitorado manauara que, nas duas últimas grandes disputas do senador, mostrou resistência ao seu nome.
2018: eleito pelo interior, apenas quarto colocado em Manaus
O exemplo mais emblemático aconteceu em 2018.
Na eleição para o Senado, Eduardo Braga conquistou 607.286 votos no Amazonas, equivalentes a 18,45% dos votos válidos, garantindo a segunda vaga e sua reeleição.
Mas o resultado de Manaus contou uma história completamente diferente.
Na capital, Braga recebeu 200.004 votos, ou 10,74%, terminando somente na quarta colocação. Plínio Valério liderou em Manaus com 635.891 votos, seguido por Luiz Castro, com 458.342, e Hissa Abrahão, com 213.532.
Ou seja: dos 607 mil votos que garantiram a Braga o mandato, apenas cerca de 200 mil vieram de Manaus. Sua recuperação no interior foi decisiva para ultrapassar Luiz Castro e assegurar a cadeira no Senado.
2022: novamente uma votação fraca na capital
Quatro anos depois, o problema apareceu novamente.
Braga disputou o Governo do Amazonas e conseguiu chegar ao segundo turno. No primeiro turno, obteve 401.817 votos em todo o estado, correspondentes a 20,99% dos votos válidos.
Em Manaus, entretanto, Braga terminou apenas na quarta posição, com 141.485 votos e 13,22%.
Wilson Lima recebeu 367.926 votos na capital; Amazonino Mendes, 262.856; e Ricardo Nicolau, 194.153. Braga ficou atrás dos três.
Mais uma vez, foi o desempenho fora de Manaus que sustentou sua candidatura. Uma análise publicada após aquele primeiro turno mostrou que Wilson venceu Braga na capital e em nove dos dez maiores colégios eleitorais do Amazonas.
Braga chegou ao segundo turno, mas acabou derrotado por Wilson Lima: 56,65% a 43,35%, considerando todo o Amazonas.
2026 apresenta melhora, mas diferença entre capital e interior continua
O cenário atual é mais favorável a Braga.
As pesquisas de 2026 mostram que o senador conseguiu recuperar espaço em Manaus e permanece entre os favoritos para uma das duas vagas. O ponto de atenção, entretanto, continua sendo a diferença entre seu desempenho na capital e no interior.
A pesquisa Eficaz realizada entre 31 de maio e 4 de junho, por exemplo, apontou Braga com média de 19,8% em Manaus e 29,5% no interior na soma das intenções de primeiro e segundo voto.
Já levantamento do Instituto Action, realizado em julho, mostrou uma recuperação importante: Braga apareceu com 23% em Manaus, tecnicamente muito próximo de Alberto Neto, que registrou 22%. No interior, porém, Braga chegava a 34%.
Os números revelam uma mudança em relação a 2018 e 2022: Braga já não aparece tão fragilizado na capital. Mas ainda depende proporcionalmente muito mais do interior.
E numa eleição extremamente competitiva, com dois votos para senador e nomes fortes disputando o eleitorado urbano, aumentar sua margem em Manaus pode representar a diferença entre entrar na reta final dependendo novamente de uma grande votação no interior ou chegar ao pleito com uma eleição muito mais equilibrada territorialmente.
A aproximação política e administrativa entre Braga e Renato Jr. não começou agora. A Prefeitura de Manaus já executa obras viabilizadas por recursos destinados pelo senador, incluindo intervenções de infraestrutura e contenção de encostas. Em fevereiro, por exemplo, a prefeitura anunciou um pacote de obras em 13 áreas da capital viabilizado por emenda parlamentar de Braga.
Renato também já reconheceu publicamente a participação de Braga em investimentos destinados à cidade.
A relação administrativa, portanto, oferece matéria-prima para uma parceria eleitoral: Braga apresenta os recursos enviados para Manaus e Renato Jr. pode ajudar a transformar essas entregas em presença política nos bairros.
Para o senador, trata-se de atacar justamente o ponto que historicamente aparece como sua maior vulnerabilidade eleitoral.
Eduardo Braga chega a 2026 em situação bastante diferente daquela vivida em outras eleições. Lidera levantamentos estaduais e mantém uma base eleitoral robusta no interior. Uma pesquisa divulgada em julho, por exemplo, apontou Braga na liderança estadual com 21,8% das intenções consolidadas, seguido por Alberto Neto, Wilson Lima e Plínio Valério.
Isso, entretanto, não elimina o desafio de Manaus.
2018: 200.004 votos para senador na capital — 10,74% e quarto lugar.
2022: 141.485 votos para governador no primeiro turno — 13,22% e novamente quarto lugar.
2026: pesquisas já mostram Braga competitivo e até liderando cenários na capital, mas ainda com desempenho significativamente superior no interior.
É nesse contexto que Renato Jr. pode se transformar em uma das peças mais importantes da estratégia eleitoral de Braga.
O senador não precisa descobrir como conquistar o interior — essa é justamente sua principal fortaleza eleitoral. O desafio de 2026 é outro: convencer Manaus.
E, depois de duas eleições em que a capital lhe entregou resultados muito inferiores aos obtidos no restante do Amazonas, Braga aposta agora na proximidade com Renato Jr. para tentar conquistar os votos que Manaus lhe negou no passado.









