Um novo governo ainda não foi formalmente anunciado e ainda há, em tese, negociações com lideranças políticas do Gabinete pró-Ocidente que ficou sem líder com a fuga de Ashraf Ghani. No entanto, comandantes do Talibã assumiram o controle do palácio presidencial em Cabul e deram entrevista no local, dizendo que estavam garantindo a segurança na …
CAOS NO ORIENTE:O governo do Afeganistão entrou em colapso neste domingo (15) com a entrada do Talibã na capital, Cabul, e com a fuga do então presidente, Ashraf Ghani para o Tajiquistão. Marca a volta do grupo fundamentalista ao poder, depois de seu regime ser derrubado pelas forças dos Estados Unidos, em outubro de 2001.

Um novo governo ainda não foi formalmente anunciado e ainda há, em tese, negociações com lideranças políticas do Gabinete pró-Ocidente que ficou sem líder com a fuga de Ashraf Ghani.
No entanto, comandantes do Talibã assumiram o controle do palácio presidencial em Cabul e deram entrevista no local, dizendo que estavam garantindo a segurança na cidade para a volta de seus líderes que estão no exílio e fora da capital.
O grupo divulgou um comunicado informando que assumiu os postos policiais que foram abandonados pelas forças do antigo governo e que deseja uma transição pacífica do governo.
Com isso, multidões correram desesperados para o aeroporto internacional de Cabul em busca de fuga, incluindo alguns agarrados a um avião de transporte militar dos EUA enquanto ele taxiava na pista, de acordo com imagens postadas por uma empresa de mídia.
Tropas americanas atiraram para o ar para dissuadir as pessoas que tentavam forçar o caminho para um voo militar que evacuava diplomatas e funcionários da embaixada dos EUA, disse um oficial dos EUA.
Cinco pessoas foram mortas no caos no aeroporto na segunda-feira, mas não ficou claro se elas foram baleadas ou mortas em uma debandada.
Os EUA que estiveram no país desde 2001, anunciaram sua retirada no ano passado em 2020 por Donald Trump. Sendo cumprida por J. Biden nas últimas semanas.
Agora, apenas concentrados em garantir a segurança no aeroporto da capital afegã. Os Estados Unidos estão prontos para dizer adeus ao país, após 20 anos em conflito.
Contudo, não parece uma despedida com ares de “Missão cumprida”. A guerra ao terror se iniciou em 2001 , após, o atentado de 11 de setembro orquestrado pela Al-Qaeda de Osama Bin Laden que era apoiada pelo Talibã o governo vigente na época.
Desde então, certos objetivos foram concluídos a rede de terrorismo foi combatida e desfeita com sucesso, inclusive, com a morte de seu líder em maio de 2011. E o governo talibã foi deposto na capital Cabul e expulso para áreas de menor relevância econômico-social mais adentro do interior do país.
Contudo, o regime fundamentalista nunca deixou de existir no país e durante os anos de invasão americana acabou se fortalecendo. Tendo liberdade para legislar e executar leis na cidades dominadas o Talibã, se apossou das áreas férteis e permitiu o plantio da papoula sendo usada para fabricação de drogas ilícitas como o ópio e heroína que viraram sua principal fonte renda nesses anos.
A estimativa mais alta de todos os tempos para a produção de ópio foi estabelecida em 2017 em 9.900 toneladas no valor de cerca de US $ 1,4 bilhão em vendas pelos agricultores ou cerca de 7% do PIB do Afeganistão, relatou o UNODC.
E com dinheiro nas mãos, puderam se fortalecer comprando carros, motos, rádios, celulares, explosivos entre outros armamentos. Além de, contar com armas e itens tomados de seus oponentes durante as invasões.
Em pouco dias, após a retirada do exército dos EUA, Reino Unido entre outras nações. O Talibã conseguiu retomar o poder em todas as 14 grandes cidades do país, sendo a última a ser tomada, a capital do país. O que marca a retomada do Regime Fundamentalista ao poder.
COMO SURGIU O TALIBÃ
No meio do século XX, o Afeganistão era um protetorado britânico.
Com várias políticas seculares sendo introduzidas no país a partir de 1960, mas as medidas geravam insatisfação de alguns grupos que viam a presença estrangeira como um supressão da cultura local.
Conflito de poder iniciaram-se, levando ao assassinato do presidente Maomé Zair Xá.
Em 1978, um partido apoiado pela União Soviética, o Partido Democrático do Povo Afegão (PDPA), temia que a Revolução Islâmica acontecida no Irã chegasse até o Afeganistão, defendendo a supressão do islã no país.
Isso levou ao golpe militar realizado pelo PDPA, impedindo novas mesquitas de serem construídas e banindo vestimentas tradicionais islâmicas.
O PDPA prendeu e executou diversos oponentes políticos, tornando o Afeganistão uma nação unipartidária.
Em contrapartida, a tudo isso os EUA através da CIA começaram a financiar grupos rebeldes muçulmanos para impedir o controle soviético, o principal dele os Mujahidins, que queria um estado afegão teocrático islâmico.
Até meados de 1989, o país se tornou um campo de guerra entre a URSS e os Mujahidins que estavam sendo financiados pelos Estados Unidos.
Uma aliança de movimentos guerrilheiros derruba o regime pró-comunista de Mohammad Najibullah. As negociações para a formação de um governo de coalizão degeneram em confrontos, e, em 1996, um subgrupo dos Mujahindis se desmembrou e partir daí nasce o Talibã (grupo paramilitar sunita de etnia patane, a mais numerosa do país) que assume o poder e implanta um regime fundamentalista islâmico.
Controlando a maior parte do país, o Talibã baniu as mulheres de irem a escola, hospitais ou saírem sozinhas na rua.
E apenas com o atentado às torres gêmeas em 2001 pela Al-Qaeda, parceira do Talibã, os EUA encerraram e o Afeganistão foi considerado parte do “Eixo do Mal” e por isso, os americanos decidiram invadir o país declarando guerra ao terrorismo.
Após os EUA financiarem grupos rebeldes islâmicos por décadas, eles acabaram se tornando seus inimigos. E durante a ocupação de 20 anos, o Talibã em raros momentos foi combatido pelas forças americanas e manteve sua hegemonia em grandes áreas do Afeganistão.









