Caso Benício: polícia diz que médica se recusou até levantar para atender menino

Médica teria prescrito superdosagem de medicamento para o menino

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A médica Juliana Brasil Santos — responsável por prescrever a superdosagem de adrenalina que levou ao óbito do menino Benício Xavier de Freitas — se recusou a levantar da mesa para atender o paciente e só o fez após muita insistência, revelou o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

“Ela teria sido acionada pela técnica de enfermagem logo que a criança começou a passar mal, e ela não queria sequer levantar da mesa onde estava para ver a criança. Depois de muita insistência, foi, mas não demonstrou urgência em atender”, disse o delegado.

Juliana prestou depoimento no 24º DIP, localizado no Centro, na manhã desta sexta-feira (28). Ela chegou à delegacia acompanhada de seu advogado de defesa e cobriu o rosto com o moletom. A médica não quis falar com a imprensa para apresentar sua versão sobre o caso.

Durante a declaração, o delegado chamou atenção para a frieza da médica ao afirmar que, mesmo após visualizar a criança passando mal: “Essa situação, no meu entendimento, mostrou que havia uma indiferença com a vida da vítima”.

O delegado havia pedido a prisão preventiva da médica, mas o pedido foi negado pela Justiça do Amazonas. A decisão foi tomada por meio da concessão de um habeas corpus preventivo.

Defesa

A defesa da médica nega as acusações e afirma que, após o agravamento do quadro, ela teria agido imediatamente, solicitando inclusive outro medicamento para tentar reverter a situação, que evoluiu rapidamente após a alta dosagem de adrenalina.

Entenda o caso

Juliana foi responsável por atender o menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, que deu entrada no Hospital Santa Júlia no último sábado (22) com tosse e suspeita de laringite.

Após receber uma dosagem do medicamento prescrita por ela — considerada superior ao recomendado — o menino passou mal e sofreu seis paradas cardíacas, vindo a óbito no dia seguinte, domingo (23).

O Hospital Santa Júlia afastou a médica e a equipe responsável pelo atendimento e afirmou ter concluído uma investigação interna sobre o caso.

O Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CREM-AM) informou que vai investigar as causas que levaram à morte de Benício.

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