Cidade impõe novo estilo na política do Amazonas: “bateu, levou” e nada fica sem resposta

Governador abandona postura defensiva, enfrenta acusações diretamente e sinaliza que nenhum ataque passará em branco

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Roberto Cidade decidiu mudar a dinâmica da disputa pelo Governo do Amazonas. Alvo de ataques simultâneos de adversários de diferentes campos políticos, o governador adotou uma postura que pode ser resumida em: “bateu, levou”.

A expressão não é uma declaração literal de Cidade, mas traduz o estilo que passou a marcar suas últimas manifestações públicas. Acusações, provocações e questionamentos deixaram de ser ignorados. Agora, cada ataque encontra uma resposta seja por meio de declarações contundentes, comparações entre governos ou apresentação de ações administrativas.

O novo comportamento ficou mais evidente quando Cidade rebateu acusações feitas pelo senador Omar Aziz.

Contra David Almeida anteriormente, Cidade respondeu às críticas sobre os programas sociais do Estado, comparou propostas e defendeu as políticas executadas pelo Governo do Amazonas. Ato contínuo, respondeu indiretamente para Omar Aziz ao fazer referência à Operação Maus Caminhos, investigação que apurou desvios de recursos destinados à Saúde.

Omar, aliás, passou a ocupar o centro das declarações mais duras do governador. Cidade tem reagido ao discurso do senador, rejeitado ameaças políticas e sustentado que não governará sob pressão de grupos ou lideranças tradicionais.

A estratégia indica que o governador não pretende permitir que os adversários construam narrativas sem contraponto. Se antes o silêncio poderia ser interpretado como prudência, agora a ordem parece ser responder rapidamente, delimitar posições e devolver os questionamentos na mesma intensidade.

Apesar do endurecimento, Cidade procura estabelecer uma diferença entre enfrentamento político e perseguição. No lançamento de sua pré-candidatura, afirmou que não pretende fazer política baseada em ameaças e garantiu que responderia aos ataques com “trabalho, amor e respeito ao povo”. Amazonas Atual⁠

Na prática, porém, responder com trabalho não significa permanecer calado.

Cidade parece ter entendido que, em uma campanha marcada pela polarização e pelo confronto direto, administrar sem disputar a narrativa poderia abrir espaço para que acusações se consolidassem como verdade. Por isso, passou a combinar entregas administrativas com respostas políticas mais incisivas.

A ausência no primeiro debate eleitoral também mostrou que o governador pretende escolher onde, quando e em quais condições enfrentará seus adversários. Enquanto Omar Aziz, Maria do Carmo e David Almeida criticavam a cadeira vazia, Cidade manteve sua própria agenda e evitou participar de um confronto organizado pelos concorrentes.

A quantidade de ataques recebidos também revela que Roberto Cidade passou a ser tratado como um dos principais adversários da eleição. Omar Aziz, Eduardo Braga, David Almeida, Maria do Carmo e outras lideranças intensificaram os questionamentos contra o governador e o grupo político liderado por ele e Wilson Lima.

Ao reagir, Cidade procura transformar essa artilharia em combustível eleitoral. A mensagem transmitida aos aliados é de firmeza; aos adversários, de que não haverá espaço para ataques gratuitos; e ao eleitor, de que está disposto a defender pessoalmente seu governo.

O estilo conciliador não desapareceu, mas ganhou uma nova camada. Cidade continua falando em união, diálogo e construção política, porém deixou claro que conciliação não será confundida com passividade.

Na nova fase da campanha, quem partir para o ataque deverá estar preparado para receber a resposta. No tabuleiro político do Amazonas, Roberto Cidade estabeleceu sua regra: bateu, levou e nada ficará sem resposta.

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