Programa eleitoral utiliza uma personagem submetida a uma “harmonização política” para questionar a imagem de novidade apresentada pela candidata do PL
Cidade mira Maria do Carmo, ironiza discurso de renovação e associa adversária à velha política

O programa eleitoral do governador Roberto Cidade (União Progressista) elevou o tom da campanha e transformou a propaganda na televisão em um ataque direto à candidata Maria do Carmo Seffair (PL). Com uma produção carregada de ironia e simbolismos, a peça procura desconstruir o discurso de renovação da adversária e associá-la às práticas da chamada velha política.
No vídeo, uma senhora aparece sentada sob um foco de luz enquanto diferentes objetos são colocados diante dela. A sequência faz referências a poder, dinheiro, obras abandonadas, prédios deteriorados e antigas relações políticas. A personagem afirma que a população estaria cansada da velha política, mas logo é submetida a uma espécie de “repaginada” para aparentar modernidade.
A metáfora central é clara: para a campanha de Cidade, não basta mudar a aparência, o discurso ou a forma de apresentação ao eleitor quando as conexões políticas continuam ligadas ao passado.
Em um dos momentos mais provocativos, a personagem recebe uma verdadeira “harmonização”, com maquiagem, penteado e alterações visuais. A cena ironiza a tentativa de construir uma imagem eleitoral renovada sem, segundo a narrativa do programa, romper efetivamente com antigas estruturas de poder.
A propaganda também faz referências ao uso político do nome “Professora Maria do Carmo” e questiona o que apresenta como uma tentativa de esconder sobrenomes, relações familiares e episódios da própria trajetória.
Ao exibir frases como “esconder sobrenome, família” e “minha história”, o programa procura reforçar a tese de que existe uma diferença entre a personagem apresentada na campanha e a história política que estaria por trás da candidatura.
As imagens de papéis com a palavra “propostas” sendo amassados aprofundam a crítica. A mensagem transmitida é a de que a construção da candidatura estaria mais concentrada na embalagem, no treinamento do discurso e na aparência de renovação do que na apresentação de um projeto consistente para o Amazonas.
Embora Maria do Carmo não seja citada nominalmente durante toda a peça, as referências à “professora”, ao sobrenome e à família tornam evidente quem é o alvo da ofensiva.
Na parte final, a propaganda abandona a personagem e apresenta o slogan que resume a estratégia política da campanha: “O Amazonas não quer a velha política. O Amazonas quer gente jovem e experiente.”
É nesse ponto que Roberto Cidade se coloca como a alternativa de renovação, combinando juventude com experiência administrativa. A presença do vice Serafim Corrêa reforça a tentativa de apresentar uma chapa que une renovação geracional e conhecimento político.
Mais do que atacar uma adversária, o programa busca disputar diretamente a narrativa da mudança. Maria do Carmo tenta se apresentar como novidade na política amazonense; Roberto Cidade responde afirmando que a renovação não pode ser apenas estética, publicitária ou eleitoral.
Com linguagem cinematográfica, humor ácido e referências facilmente identificáveis, Cidade inaugura uma fase mais agressiva da campanha. A mensagem deixada ao eleitor é direta: é possível mudar o nome, o discurso e a aparência, mas não se apaga a própria história.










