Reagir é amplificar: o erro recorrente da política tradicional (titulo). Sem entrar no mérito, a fala do deputado Amom Mandel foi dura, direta, dessas que não pedem licença — e, justamente por isso, funcionou.Vieram as notas de repúdio, os discursos inflamados, a tentativa de enquadramento. Tudo dentro do roteiro.Mas o curioso é que o roteiro …
Coluna 01 de Eduardo Bessa | Reagir é amplificar: o erro recorrente da política tradicional

Reagir é amplificar: o erro recorrente da política tradicional (titulo).
Sem entrar no mérito, a fala do deputado Amom Mandel foi dura, direta, dessas que não pedem licença — e, justamente por isso, funcionou.
Vieram as notas de repúdio, os discursos inflamados, a tentativa de enquadramento. Tudo dentro do roteiro.
Mas o curioso é que o roteiro nunca muda — só o protagonista.
Não faz muito tempo, Pablo Marçal ocupou o centro do debate nas enchentes do Rio Grande do Sul. Foi criticado por autoridades, rebatido pela TV Globo, tentaram desmenti-lo em rede nacional. E o que aconteceu? Ele só cresceu. A crítica virou palco.
Donald Trump fez disso estratégia. No Brasil, Jair Bolsonaro também.
O padrão é o mesmo: o personagem antissistema corta a bola, e a velha política levanta mais bolas para serem cortadas, em vez de deixar o ponto passar, furar a bola e acabar com o jogo.
Amom fala.
A política reage.
E o nome dele circula.
Sim, senhores, assim como o “beba água”, é tudo premeditado.
O problema não é a fala, que pode e deve ser repudiada — afinal, trata-se de uma declaração carregada, “uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia” (BARROSO, Luís Roberto, 2018).
O problema maior é não entender que o jogo mudou.
Hoje, ser atacado pode significar relevância.
Ser criticado pode significar alcance.
Na era da atenção, o barulho projeta — por maior que seja a “merda falada”. Projeta tanto que aqui estou eu, investindo meu tempo comentando esse episódio.
Mas, enfim, enquanto a política tradicional reage como sempre reagiu, novos atores jogam um jogo diferente e ganham com isso.
Mais uma vez, sem analisar o mérito dessa grande “cagada”, devemos refletir: quem realmente sai fortalecido depois de tanta indignação?
Manaus, 24 de abril de 2026.
Eduardo H. Deneriaz Bessa










