Coluna 01 de Marcos Coerais | Cinema local: vale a pena valorizar

Sempre fui apaixonado por arte em geral, e o cinema ocupa um lugar especial no meu coração. Mesmo com o boom dos canais por assinatura no final dos anos 90 e, mais recentemente, o streaming dominando o cenário, ainda valorizo a experiência de ir ao cinema para assistir a um bom filme. Confesso que tenho …

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Sempre fui apaixonado por arte em geral, e o cinema ocupa um lugar especial no meu coração. Mesmo com o boom dos canais por assinatura no final dos anos 90 e, mais recentemente, o streaming dominando o cenário, ainda valorizo a experiência de ir ao cinema para assistir a um bom filme. Confesso que tenho uma preferência por filmes de terror; tudo que envolve o sobrenatural me fascina. Mas isso é papo para outra coluna, quem sabe.

Falando em cinema, não posso deixar de expressar o orgulho que sinto ao ver o destaque que o cinema nacional alcançou com o filme “Ainda Estou Aqui”. Dirigido por Walter Salles, o filme conta a comovente história de Eunice Paiva, que enfrentou o desaparecimento de seu marido durante a ditadura militar no Brasil. A profundidade e sensibilidade da narrativa resultaram em uma repercussão extraordinária. O filme não apenas conquistou a crítica, mas também recebeu indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Atriz para Fernanda Torres, que entregou uma performance incrível no papel de Eunice. Ver uma produção brasileira alcançar tamanha projeção internacional é motivo de grande satisfação e reforça a potência do nosso cinema em contar histórias universais com emoção.

Mas, nesta coluna de estreia, quero comentar brevemente sobre a história do nosso cinema local e destacar alguns filmes produzidos aqui, pela nossa gente. Temos muitos talentos na nossa região, verdadeiros artistas que só precisam de mais oportunidades.

Olha que curioso: a primeira sessão de cinema em Manaus ocorreu em abril de 1897, no Teatro Amazonas. Embora não tenha causado grande impacto na época, esse evento marcou o início da nossa jornada cinematográfica. Já em 1907, o Cine Guarany teve sua origem como Cassino Teatro Julieta, o Guarany foi palco de importantes exibições cinematográficas e eventos culturais. Apesar de sua relevância, encerrou suas atividades em 1984.

Já o Cine Odeon foi inaugurado em fevereiro de 1913, Inicialmente, oferecia 380 lugares, podendo acomodar até 500 espectadores. Ele se destacou como a primeira sala de Manaus a possuir ar-condicionado em 1953. Mas, infelizmente, encerrou suas atividades em 1973. Ambos foram marcos na história cinematográfica de Manaus, pois trouxe o cinema nos moldes que conhecemos hoje para a nossa cidade.

A produção cinematográfica local ganhou destaque com Silvino Santos, cineasta luso-brasileiro que chegou a Manaus em 1910. Ele iniciou sua carreira como fotógrafo e logo se aventurou no cinema, produzindo documentários que retratavam a Amazônia e sua cultura. Em 1987, o governo promoveu o Primeiro Festival Internacional de Cinema Amazônico e, em 2001, criou a Amazon Film Commission, que resultou em produções como “Tainá I e II”. Essas iniciativas fortaleceram a cena cinematográfica local e incentivaram novas produções.

Pesquisando mais sobre algumas produções da nossa terra, separei uma lista de filmes que a Secretaria de Cultura considera que poderiam até ganhar um Oscar:

1. O Clã das Jibóias – O Jiu-Jitsu na Amazônia (2022): Dirigido por Heraldo Daniel, este documentário parte da imigração japonesa de uma trupe de lutadores, passando pela retomada em 1976 com a chegada de Reyson Gracie a Manaus, e concluindo com a fase do “jiu-jitsu exportação”, tornando os lutadores da Amazônia conhecidos no mundo todo.

2. Stone Heart (2021): Sob a direção de Humberto Rodrigues, o filme retrata um mundo pós-apocalíptico onde guerras, epidemias, escassez de recursos e colapso social transformaram os seres humanos em criaturas de pedra.

3. A Hespanhola (2021): Um casal de barões da borracha de Manaus se transporta de 1919, fim da Gripe Espanhola no Brasil, até 2020, auge da pandemia de Covid-19. Entre quinino, chá inglês, música de beiradão e modem de internet, as desventuras do casal mostram como as estruturas conservadoras se mantêm desde outros tempos. A direção é de Francis Madson.

4. Tucandeira (2020): Dirigido por Jimmy Christian, este filme conta a história da tribo dos Sateré Mawé, que, em pleno coração da floresta amazônica, mantém rituais de passagem da puberdade dos homens, marcados por extremo valor e representatividade.

5. Itacoatiaras (2021): Este documentário, dirigido por Sérgio Andrade em parceria com a artista Patrícia Gouvêa, retrata as diferenças e semelhanças entre a praia Itacoatiara de Niterói, no Rio de Janeiro, e o município de Itacoatiara, no Amazonas. A obra aborda o apagamento da história que liga esses lugares.

Bacana, né?

Recentemente, fiquei orgulhoso com o lançamento do filme “Ária – Fazendo a Vida Viver”, dirigido por Cleinaldo Marinho. O filme que será exibido no majestoso Teatro Amazonas, é baseado na história real de Ária Paraense Ramos, uma jovem de 18 anos que foi assassinada em um baile de carnaval no Ideal Clube, em 1915. Bruna Pollari interpreta Ária, trazendo à vida a complexidade e a vivacidade da personagem.

A produção, mergulha no contexto histórico do auge e declínio do Ciclo da Borracha em Manaus, oferece aos espectadores uma visão profunda da sociedade da época e dos desafios enfrentados por uma jovem artista que não se conformava com os preconceitos e regras. A narrativa é envolvente e proporciona uma reflexão sobre as divergências humanas e a busca pela liberdade.

“Ária – Fazendo a Vida Viver” é uma obra que enriquece o cenário cinematográfico amazonense, resgatando uma história emblemática e convidando o público a refletir sobre nossa cultura e história. Parabéns a todos os envolvidos no filme; vale muito a pena assistir.

Sempre vou incentivar e apoiar a produção cinematográfica no Amazonas. Nossa região é rica em histórias e possui profissionais talentosos que, com competência e criatividade, não deixam nada a desejar.

Você curte cinema? E o nosso, aqui da nossa terra? Eu fico todo empolgado pra conferir as produções locais. Agora, já pensou em ser o protagonista de um filme? Conta pra mim, sua vida daria um bom roteiro?

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