Coluna 03 de Gabrielle Moura | CPI das Bets ou melhor, do circo?

A internet brasileira está com os olhos voltados para a chamada CPI das Bets, que, em teoria, deveria investigar como as plataformas de apostas online têm causado prejuízos à população, sobretudo às famílias mais vulneráveis. No entanto, o que vemos é um verdadeiro espetáculo, e os palhaços, adivinhem? Somos nós. A Comissão Parlamentar de Inquérito …

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A internet brasileira está com os olhos voltados para a chamada CPI das Bets, que, em teoria, deveria investigar como as plataformas de apostas online têm causado prejuízos à população, sobretudo às famílias mais vulneráveis. No entanto, o que vemos é um verdadeiro espetáculo, e os palhaços, adivinhem? Somos nós.

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), em Brasília nesse caso, ouve influenciadores digitais que assinaram contratos milionários com casas de apostas, promovendo seus serviços e incentivando seus seguidores a embarcarem nesse universo sem medir as consequências. Muitos desses seguidores, na ilusão de conquistar a mesma vida luxuosa que acompanham nas redes ,de São Paulo a Orlando , acabam colocando em risco seu sustento, sua paz e, em muitos casos, sua família.

Não estou aqui para criticar quem ostenta, mas questionando: vale a pena enriquecer às custas da ingenuidade alheia? Vale a pena seguir influenciadores que, muitas vezes, não conquistaram nada de fato, mas se vendem como exemplo de sucesso instantâneo?

Meu objetivo ao trazer essa reflexão não é atacar diretamente os influenciadores até porque cada um é responsável por suas escolhas e responderá por elas, mas é necessário alertar para a forma como essas figuras públicas são seguidas cegamente por milhões de pessoas. E pior: como promovem plataformas que causam dependência, endividamento e destruição de lares. Todos nós sabemos que não existe dinheiro fácil. Existe o dinheiro fruto do esforço honesto e do trabalho diário, mas fácil não.

Como jornalista, acompanhei reportagens em que pessoas simples usaram até o valor do Bolsa Família para apostar no famoso “tigrinho”, enquanto seus filhos passavam fome. Falta dinheiro para o básico, mas a promessa ilusória de riqueza rápida continua seduzindo. E não adianta influenciador alegar que sempre orienta a jogar com responsabilidade — sejamos honestos: quem está desesperado por dinheiro vai pensar em limites? Tenha santa paciência!

A sociedade precisa despertar. Essas plataformas precisam ser responsabilizadas judicialmente. Sabe por que? Porque os influenciadores não pagam suas contas, não cuidam da sua família, não se preocupam com suas dívidas e nem com o dano da sua saúde psicológica causado pelo joguinho “inofensivo”. As redes sociais deveriam ser ferramentas para transformar, não para iludir.

Vivemos à mercê de quem se autointitula “influenciador”, presos em uma teia que se aperta a cada dia. Apostas online nunca foram uma opção segura e não serão. Mas no Brasil, onde uma CPI que deveria investigar crimes acaba promovendo apostas ao vivo em rede nacional, tudo é possível.

Lamentável tudo isso e pior, ver senadores pedindo para os influenciadores mostrarem como funciona o jogo e outros interrompendo a CPI para pedir foto para a mulher e as filhas. A CPI do circo nos mostra que ainda temos muito a amadurecer como nação.

Gabrielle Moura é jornalista, especialista em marketing político e assessora de comunicação.

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