Coluna 09 de Marcos Coerais I Verde e Amarelo é Identidade Nacional

Confesso que, quando vi a camisa vermelha da Seleção Brasileira circulando nas redes, minha primeira reação foi de estranheza. Não que a cor seja feia pelo contrário, o tom é bonito, vibrante até. Mas o vermelho, sinceramente, não me remete ao Brasil que a gente aprendeu a amar no futebol. As nossas cores, são o …

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Confesso que, quando vi a camisa vermelha da Seleção Brasileira circulando nas redes, minha primeira reação foi de estranheza. Não que a cor seja feia pelo contrário, o tom é bonito, vibrante até. Mas o vermelho, sinceramente, não me remete ao Brasil que a gente aprendeu a amar no futebol. As nossas cores, são o verde e o amarelo. É isso que pulsa quando o hino toca, é isso que emociona quando a bola rola em uma Copa do Mundo.

Muita gente criticou a cor vermelha por associá-la à esquerda, como se o simples uso de uma paleta cromática fosse um posicionamento ideológico. Isso mostra o quanto andamos polarizados. Penso que, quem realmente defende o vermelho na camisa, em grande parte, são pessoas que raramente vestem a camisa da Seleção, seja nas ruas, nos estádios ou nos momentos que ela mais nos representa.

Você não acha que a politização das cores é um caminho perigoso?

Muito bem, a própria CBF já se posicionou, dizendo que as imagens que circularam da suposta camisa vermelha não são oficiais. A entidade reafirmou que o segundo uniforme seguirá sendo azul e que a nova coleção ainda será definida com a Nike. Ou seja, por ora, a tradição se mantém.

Historicamente, o Brasil já vestiu vermelho em campo. Sim, isso aconteceu!  Foi em 1917 e depois em 1936, em edições do então Campeonato Sul-Americano. Em ambas as ocasiões, o uso foi motivado por sorteio, já que as seleções adversárias também usavam branco, cor oficial do Brasil até 1950. Mas foi justamente a derrota para o Uruguai no Maracanã, em 16 de julho, que fez a camisa branca ser “aposentada” e abriu caminho para o surgimento do uniforme amarelo, escolhido por concurso. O azul, por sua vez, nos deu o primeiro título mundial em 1958.

Portanto, sim, o vermelho tem um pequeno lugar na história da Seleção, mas não no nosso imaginário coletivo. E isso é importante considerar. Além disso, muito se falou do uso político da camisa amarela nos últimos anos. É verdade que ela foi adotada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas, sinceramente? Acredito que ele apenas vestiu as cores do país. O verde e o amarelo não pertencem à direita, nem à esquerda. Eles são de todos nós. E não podemos permitir que sejam sequestrados por narrativas políticas.

Ser patriota é usar essas cores com orgulho mesmo diante das tantas decepções que já vivemos como nação. É continuar acreditando, vibrando, se emocionando. É usar a camisa da Seleção como símbolo de união, não de divisão.

O que mais me espanta é ver tanta energia sendo gasta para discutir a cor de uma camisa. Num país com tantos desafios urgentes, educação, saúde, segurança, desigualdade, é triste ver o foco desviado para uma questão que deveria ser estética, cultural ou, no máximo, comercial.

Porque sim, no fim das contas, tudo isso também é marketing. E o marketing está aí para criar conversa, causar impacto, gerar emoção. A camisa vermelha pode até cumprir esse papel. Mas usá-la numa Copa do Mundo? Não combina. A nossa história, a nossa paixão, estão escritas em verde, amarelo, azul e branco. E é com essas cores que a gente se reconhece, se emociona e se orgulha.

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