Coluna 16 de Belmiro Vianez Filho | Logística na Amazônia: Discriminação Silenciosa, Custo Estrutural

Por Belmiro Vianez Filho – [email protected]

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“O comércio na Amazônia cumpre papéis que vão além da atividade econômica. É uma rede de abastecimento, elo com a agricultura familiar, espinha dorsal das cidades pequenas, expressão da cultura local. Quando ele é tratado com descaso logístico, toda a cadeia regional é comprometida”.

Mais do que distância é desigualdade logística. Isso está ao nosso alcance. Unidos e aliançados, certamente, poderíamos achar caminhos, saídas e atalhos para suavizar o peso da precariedade regional. Lutamos historicamente por esses direitos, mas descuidamos das atitudes simples da nobreza e da elegância no tecido institucional das micro e pequenas empresas em cima de quem os gargalos logísticos chegam a ser perversos.

A logística da Amazônia não é apenas cara.

Ela é discriminatória. Em pleno século XXI, convivemos com um sistema logístico que reproduz uma espécie de apartheid econômico, no qual o pequeno e médio comerciante amazônida é tratado como cliente de segunda classe. Sua demanda não tem acolhimento de urgência nem consideração com a relevância da carga e do destino. Isso precisa mudar.

Duopólio da precariedade e invisibilidade civil

A situação é agravada por um duopólio prático de armadores e fornecedores logísticos que atuam na região. A baixa concorrência gera não apenas preços altos, mas também condutas abusivas e falta de compromisso com o desenvolvimento regional. A economia é uma engrenagem e os critérios de prioridades padecem de um planejamento e reconhecimento dessa configuração.

Comércio como estrutura social

O comércio na Amazônia cumpre papéis que vão além da atividade econômica. É uma rede de abastecimento, elo com a agricultura familiar, espinha dorsal das cidades pequenas, expressão da cultura local. Quando ele é tratado com descaso logístico, toda a cadeia regional é comprometida. E desrespeitada. Os prejuízos são compartilhados por atitudes negligentes.

O que reivindicamos?

Tratamento igualitário na cadeia logística, com regras de atendimento que respeitem a diversidade econômica regional; isso é uma premissa que enobrece e quando ocorre é sintoma de boas práticas que torna a rotina produtiva gratificante.

Presença do Estado como regulador, com estímulos à concorrência e à interiorização dos serviços logísticos? Isso não fica claro se houver entendiment9 e consideração de parte a parte.

Estudos públicos sobre o custo logístico por perfil de empresa e região seria uma iniciativa louvável como ferramenta para corrigir distorções estruturais; inovação tecnológica pode, certamente, apontar um ganha-ganha com inteligência e decência.

Participação dos representantes do comércio nas discussões sobre política logística nacional, para romper a bolha de invisibilidade. Os empresários do comércio nem sempre dispõem de tempo e de informação para trabalhar nas entidades de classe. Nessa hora as andorinhas precisam fazer a diferença e, juntas, virar a chance no rumo das soluções.

O silêncio custa caro

Enquanto aceitarmos o atual modelo de logística — centralizado, precário e concentrado — estaremos não apenas perdendo competitividade. Estaremos permitindo que um sistema discriminatório continue operando com naturalidade nociva e prejudicial em cima de quem não deveria Este não é um problema técnico. É um problema de justiça.

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