David Almeida pode ser a peça-chave para atrapalhar os planos de Omar Aziz para 2026

A movimentação política em torno da candidatura de Omar Aziz ao Governo do Amazonas, em 2026, parece avançar a passos largos, mas também esconde fissuras estratégicas que podem comprometer parte desse tabuleiro. Mesmo com projeções eleitorais favoráveis, alianças consolidadas e apoio de partidos com peso nacional, um fator segue em aberto: o comportamento político de …

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A movimentação política em torno da candidatura de Omar Aziz ao Governo do Amazonas, em 2026, parece avançar a passos largos, mas também esconde fissuras estratégicas que podem comprometer parte desse tabuleiro. Mesmo com projeções eleitorais favoráveis, alianças consolidadas e apoio de partidos com peso nacional, um fator segue em aberto: o comportamento político de David Almeida e do Avante.

O senador Omar Aziz, presidente estadual do Partido Social Democrático (PSD), trabalha para construir uma base partidária robusta, com expectativa de reunir de oito a dez siglas ao seu redor. Além do PSD, a articulação inclui Avante, Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido Democrático Trabalhista (PDT), Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e outros grupos de centro-esquerda e centro-direita.

O objetivo é claro: montar uma coligação capaz de garantir musculatura política e capilaridade no interior do estado, onde Aziz ainda conserva grande apelo popular. O apoio do MDB, comandado no estado por Eduardo Braga, reforça essa rede. Já a adesão do PT e aliados à esquerda alinha Aziz com o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fortalecendo sua estrutura política.

Um dos pilares dessa articulação é o Avante, partido comandado pelo prefeito de Manaus, David Almeida. A legenda, com orçamento municipal de R$ 12 bilhões projetado para 2026, poderia ser um “cabo eleitoral de luxo” para Aziz. Inclusive, há conversas sobre a médica Fernanda Aryel, filha de David, assumir a vice na chapa.

Contudo, nos bastidores, essa aliança está longe de ser um cheque em branco. Interlocutores próximos ao prefeito indicam que David não está alinhado à candidatura de Aziz e terá uma rota própria.

Para analistas políticos ouvidos informalmente, um distanciamento de David teria impacto direto em Manaus, base eleitoral decisiva, e reduziria consideravelmente a força de Aziz na capital.

Outro ponto sensível está no Republicanos, partido comandado no Amazonas pelo deputado federal Silas Câmara. A sigla anunciou apoio a Omar Aziz para governador e a Wilson Lima para o Senado. Mas esse compromisso, feito no púlpito da Assembleia de Deus, pode não resistir às articulações nacionais.

Em Brasília, Republicanos, Progressistas (PP) e União Brasil já romperam com o governo federal e costuram uma candidatura de direita à Presidência, possivelmente com Tarcísio de Freitas (Republicanos), apoiado por Jair Bolsonaro. Esse cenário cria um paradoxo: apoiar Omar no Amazonas e, ao mesmo tempo, um palanque opositor nacional.

Já o União Brasil, de Wilson Lima, tende a não lançar candidato próprio ao governo estadual, por enquanto, priorizando sua candidatura ao Senado. No entanto, Wilson deve manter forte conexão com o eleitorado conservador e evangélico, o mesmo campo onde Omar tenta se expandir. A disputa com Capitão Alberto Neto (PL) nesse eleitorado adiciona mais tensão ao jogo político de 2026.

Outro fator complexo é o apoio do PSDB, do senador Plínio Valério. Embora Plínio seja aliado pessoal de Omar Aziz e pré-candidato à reeleição, é adversário histórico do PT e crítico ferrenho do presidente Lula. Isso cria um palanque misto ou, como definiu um dirigente partidário, uma “Torre de Babel eleitoral”.

Hoje, cerca de 40% dos deputados estaduais orbitam o campo de alianças pró-Omar Aziz. Proporção semelhante apoia Wilson Lima. Já o PL, partido de direita, tende a formar seu próprio núcleo, com Capitão Alberto Neto e aliados de Bolsonaro, consolidando uma terceira força no pleito.

Na bancada federal, PSD (2), Republicanos (2) e União Brasil, com tendência à dispersão, formam os principais blocos em disputa, o que reforça a leitura de que alianças firmadas agora poderão não ser definitivas até as convenções de julho e agosto de 2026.

Embora Omar Aziz demonstre força e articulação ampla, uma eventual ruptura com David Almeida ou mesmo um apoio morno, poderia minar sua capacidade de polarizar a disputa contra a direita bolsonarista e Wilson Lima. David controla a prefeitura da capital, maior colégio eleitoral do estado, e tem influência direta sobre votos e estruturas de campanha.

Assim, mais do que um aliado, David pode ser o fator que defina se Omar Aziz entrará em 2026 como franco favorito ou como alvo de uma disputa acirrada e fragmentada.

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