O memorial reforça a versão do ministro sobre o encontro com o banqueiro para discutir ação referente a precatórios
Documento reforça versão de Mendonça sobre reunião com Vorcaro

Documento obtido pelo Metrópoles mostra que o ministro André Mendonça recebeu um advogado para discutir ação sobre precatórios dias após se reunir com Daniel Vorcaro.
O memorial reforça a versão do ministro sobre o encontro com o banqueiro. Segundo Mendonça, Vorcaro abordou a Suspensão de Tutela Provisória (STP) nº 976 na reunião, uma ação sobre precatórios de interesse do Banco Master.
A peça é assinada pelo advogado Wilson Ramalho Cavalcanti Neto, do escritório WTL, em nome da Agro Industrial Tabu, usina do setor sucroalcooleiro. No documento, a empresa pede ao ministro que acolha embargos e rejeite a suspensão, impetrada pela União, de um precatório milionário.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (2), o ministro disse ter ouvido Vorcaro “uma única vez”, por iniciativa do próprio empresário, e atendido também o advogado do banqueiro no mesmo mês. Em todas as ocasiões, segundo o gabinete, o tema foi o processo no Supremo sobre esses créditos.
O memorial reconstrói a origem da dívida: uma ação de 1990 da Tabu e de outras 26 usinas contra a União, por prejuízos causados quando o governo fixou preços do setor abaixo dos custos. A Justiça Federal deu ganho de causa às empresas. A decisão transitou em julgado em março de 1999. A Tabu sustenta que o Supremo partiu de premissas erradas ao suspender o precatório e pede que a Corte corrija o rumo — inclusive em divergência ao voto do então relator, Luís Roberto Barroso.
Mendonça registrou que, na data exata da reunião, o processo estava com pedido de vista de outro ministro. Esse pedido havia sido feito por Alexandre de Moraes em novembro de 2024, quando o placar já era 6 a 0. O julgamento permanecia parado quando Vorcaro foi recebido.
O ministro afirmou ainda que sua atuação posterior foi contrária à posição defendida pelo empresário e que Vorcaro buscou interlocução semelhante com outros integrantes da Corte.
Ainda segundo Metrópoles, o banqueiro fez uma espécie de peregrinação por gabinetes para tratar do assunto. Os precatórios da Tabu e de outras usinas eram de interesse do Master, que operava na antecipação desses créditos — comprando o direito de receber no futuro e lucrando quando o poder público quitasse a dívida.
Em abril de 2026, a revista Veja noticiou que Vorcaro transitou por gabinetes para tratar do assunto. Um dos ministros procurados foi Gilmar Mendes, que também não atendeu ao pleito do banqueiro.
O memorial chegou à mesa de Mendonça três dias depois da data apontada em mensagens sobre o encontro em São Paulo. A reunião ocorreu cerca de um ano antes de o ministro assumir a relatoria das investigações da Operação Compliance Zero no Supremo, em fevereiro de 2026.
Com informações de Metrópoles









