Dólar cai a R$ 5,40 e Ibovespa sobe com voto de Fux no STF e deflação

Investidores repercutiram o voto do ministro Luiz Fux no julgamento de Jair Bolsonaro no STF, além de dados de inflação no Brasil e nos EUA

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O dólar encerrou a sessão desta quarta-feira (10) em queda, enquanto a Bolsa de Valores do Brasil (B3) fechou o pregão em alta, em um dia no qual os investidores repercutiram o noticiário político nacional e também estiveram atentos a dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos.

Dólar

  • Nesta quarta-feira, o dólar fechou em baixa de 0,53%, cotado a R$ 5,407.
  • Na cotação máxima do dia, a moeda norte-americana bateu R$ 5,439. A mínima foi de R$ 5,399.
  • Na véspera, o dólar avançou 0,35%, negociado a R$ 5,435.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 0,27% no mês e de 12,57% no ano frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da B3, fechou o pregão em alta de 0,52%, aos 142,3 mil pontos.
  • Na pontuação máxima desta quarta, o indicador chegou aos 143,1 mil pontos. A mínima foi de 141,6 mil pontos.
  • No dia anterior, o Ibovespa recuou 0,12%, aos 141,6 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 0,67% em setembro e de 18,27% em 2025.

Voto de Fux no STF anima bolsonaristas
No cenário doméstico, as atenções do mercado estiveram novamente voltadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles são acusados de uma suposta tentativa de golpe de Estado no país, em 2022.

Depois dos votos dos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino, na terça-feira (9), ambos favoráveis às condenações dos réus, a sessão desta quarta foi reservada à manifestação do ministro Luiz Fux, que foi em sentido oposto ao dos colegas.

Em seu voto, Fux disse que “não se pode banalizar o conceito de organização criminosa”. O magistrado discordou também que os réus tivessem cometido o crime de deterioração do patrimônio tombado.

Ainda de acordo com Fux, não há golpe de Estado sem deposição de governo. “Não constitui crime previsto na abolição violenta a manifestação crítica aos Poderes constitucionais. [Voto] Afastando qualquer pretensão de punir como atentados ao Estado democrático bravatas, como foi dito aqui no interrogatório. Bravatas proferidas por agentes políticos contra membros de outros Poderes, ainda que extremamente reprováveis”, anotou o ministro do STF.

Fux derrubou o crime de organização criminosa armada, alegando que, no caso, deveriam ter sido usadas armas de fogo – fato não relatado pelo Ministério Público. Além disso, segundo o ministro, a denúncia não narrou em qualquer trecho que os réus pretendiam praticar delitos reiterados, de modo estável e permanente.

“A imputação do crime de organização criminosa exige mais do que a reunião de vários agentes para a prática de delitos, a pluralidade de agentes. A existência de um plano delitivo não tipifica o crime de organização criminosa”, ressaltou Fux.

Com isso, o ministro adiantou que não deve votar pela condenação de Bolsonaro e aliados pelo crime de organização criminosa. O magistrado, porém, afirmou entender que os denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) cometeram ao menos o crime de concurso de pessoas.

Novas ameaças de Trump
Enquanto aguarda o desfecho do julgamento de Bolsonaro no STF, o mercado financeiro também monitora novas ameaças feitas pelo governo dos EUA contra o Brasil. Na véspera, a Casa Branca subiu o tom e falou em usar o “poder militar” norte-americano, sob a bandeira de garantir a “liberdade de expressão”. A declaração inaugurou um novo ponto de tensão entre os dois países.

Enquanto os ministros STF votavam no julgamento de Bolsonaro, a administração norte-americana se pronunciou sobre o caso por meio da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt. Em coletiva de imprensa, ela foi questionada se o Brasil pode ser alvo de novas retaliações norte-americanas, em virtude do julgamento de Bolsonaro. Como resposta, a representante do governo dos EUA disse que Trump não tem medo de usar “o poder militar” do país para garantir a liberdade de expressão ao redor do mundo.

“A liberdade de expressão é, sem dúvida, a questão mais importante do nosso tempo. Ela está garantida em nossa Constituição e Trump acredita firmemente nisso”, declarou Leavitt. “Eu não tenho nenhuma ação adicional [contra o Brasil] para antecipar para vocês hoje, mas posso dizer que isso é uma prioridade para a administração, e o presidente não tem medo de usar o poder econômico e o poder militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo.”

Com informações de Metrópoles

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