Eduardo Bolsonaro diz que Trump ainda não usou “força total” contra o Brasil e sugere sanções como as aplicadas à Rússia

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não utilizou toda a força de que dispõe contra o Brasil, e que medidas mais duras podem ser adotadas caso a “perseguição política” a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro continue. A declaração foi dada em entrevista à jornalista Mônica …

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O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda não utilizou toda a força de que dispõe contra o Brasil, e que medidas mais duras podem ser adotadas caso a “perseguição política” a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro continue.

A declaração foi dada em entrevista à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, após a repercussão da carta enviada por Trump ao presidente Lula, onde o americano formalizou a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para agosto.

Para Eduardo, a medida é uma retaliação direta ao que ele chama de autoritarismo do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o clima de perseguição contra opositores políticos no Brasil. Ele se referiu à medida como a “tarifa Moraes”.

🧨 “Trump ainda pode usar a força total”
Questionado por Mônica Bergamo sobre o que significaria Trump agir com “força total” contra o Brasil, Eduardo respondeu:

“Ele pode chegar ao extremo de fazer igual ao que foi feito com a Rússia. Ele [o governo americano] congelou o acesso da Rússia ao sistema SWIFT — o sistema financeiro global inteiro. Proibiu empresas americanas de fazerem investimento na Rússia, de receberem investimento russo. Congelou bens de um monte de oligarca russo.
Na verdade, foi o [ex-presidente dos EUA Joe] Biden. Mas eu estou querendo dizer o seguinte: o governo americano tem muito mais instrumentos sensíveis do que tarifa de 50%.”

Segundo Eduardo, Trump já sinalizou na carta enviada a Lula que, se considerar que o Brasil continua perseguindo a oposição, poderá dobrar a tarifa para 100%:

“Trump já avisou na carta dele. Ele vai adicionar isso ao percentual da ‘tarifa Moraes’ de 50%, que totalizaria um total de 100% de tarifa.”

📝 A carta de Trump e o tom político da medida
Na carta oficial enviada a Lula, Trump citou diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro e fez questão de elogiar o relacionamento entre os dois países durante seu mandato:

“Durante o governo do seu antecessor Jair Bolsonaro, nossas relações comerciais evoluíram com base no respeito mútuo e na soberania nacional. Espero que possamos retomar esse caminho.”

A menção é interpretada como um recado político direto, deixando claro que as novas tarifas têm um componente ideológico, e não apenas econômico. A aproximação entre Trump e Bolsonaro, consolidada desde 2019, está agora se transformando em instrumento de pressão internacional.

⚠️ Escalada diplomática
A fala de Eduardo e a retórica da carta escalam ainda mais o clima de tensão entre o bolsonarismo e o governo Lula. O sinal dado por Trump é que as sanções comerciais podem evoluir para sanções diplomáticas, financeiras ou até bloqueios de mercado, caso entenda que o atual governo brasileiro fere os princípios democráticos ao restringir a oposição.

As referências ao caso russo — onde os EUA aplicaram bloqueios globais após a invasão da Ucrânia — servem como alerta: Trump pode usar medidas muito mais duras se quiser fazer pressão real contra o governo brasileiro.

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