???? ENTREVISTA EXCLUSIVA: Amom assina e vira co-autor do requerimento da CPMI para investigar o 8 de janeiro

O vazamento na imprensa nacional do vídeo escondido pelo governo Lula de um ministro misturado entre os manifestantes na invasão do 8 de janeiro provocou uma mudança de rumo no posicionamento de deputados federais de todo o país. O agora ex-ministro Gonçalves Dias, braço direito de Lula há anos, foi exposto em rede nacional nas …

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O vazamento na imprensa nacional do vídeo escondido pelo governo Lula de um ministro misturado entre os manifestantes na invasão do 8 de janeiro provocou uma mudança de rumo no posicionamento de deputados federais de todo o país. O agora ex-ministro Gonçalves Dias, braço direito de Lula há anos, foi exposto em rede nacional nas filmagens do palácio do planalto.

Dentre os deputados que resolveram apoiar a CPMI do 8 de janeiro após o vazamento do vídeo, estão o deputado federal Amom Mandel, do Amazonas, que antes defendia que a CPI da Câmara Legislativa Distrital “estava dando conta da apuração” e que não seria adequado “atropelar” a investigação já iniciada. A descoberta do envolvimento do ministro mudou a sua opinião sobre o caso e fez com que ele aceitasse não apenas assinar a CPMI, mas solicitar a subscrição do requerimento para constar como co-autor e colaborar com novas linhas de investigação e questionamentos, pedindo também aos seus apoiadores que cobrem o apoio de outros deputados para a investigação.

Em entrevista exclusiva concedida ao Foco no Fato, o deputado explicou melhor o seu posicionamento e deu detalhes das articulações com os autores da CPMI:

Foco no Fato – O senhor foi criticado nas redes sociais por não assinar a CPMI antes, essa mudança tem algo a ver com essas críticas? Por que o senhor decidiu subscrever o projeto?

Amom Mandel – A divulgação das gravações vazadas na imprensa nacional mostram, sem sombra de dúvidas, que houve no mínimo uma omissão por parte de integrantes do governo na invasão ao Planalto no dia 8 de janeiro. O vídeo mostra o então ministro e servidores do governo permitindo que vândalos continuassem a depredação pública e, em alguns momentos, distribuindo até água para os invasores. Antes achava que as investigações da polícia federal, da CPI na Câmara Legislativa Distrital, do Ministério Público Federal e de outros órgãos supria a necessidade de apuração e que um envolvimento do Congresso Nacional nas investigações poderia contaminar a apuração com os discursos políticos da base governista e da oposição. Com o vazamento do vídeo, um fato novo que muda absolutamente tudo, vejo que informações foram omitidas das investigações em curso e que apenas a força do Congresso Nacional será suficiente para obrigar todos os envolvidos a revelarem as devidas informações.

FF – O senhor subscreveu a CPMI ao invés de apenas assinar. Na prática, qual a diferença disso?

AM – Ao subscrever o requerimento, eu passo a ter o status de coautor, podendo contribuir para que novos questionamentos sejam acrescentados ao escopo do pedido e novas linhas de investigação sejam acrescidas aos procedimentos para apuração dos fatos. Creio que é necessário acrescentar ainda mais elementos aos pedidos já feitos para apurar justamente os novos fatos revelados ao invés de apenas confirmar o que já foi visto na CPI da Câmara Legislativa. O que foi revelado é muito grave e o governo sequer sabe como responder a isso, como pode ser visto nas versões desencontradas de cada integrante da base do governo. Todos foram pegos de surpresa.

FF – Qual a sua avaliação sobre o vandalismo ocorrido no dia 8 de janeiro?

AM – Mantenho o meu posicionamento desde o início: sou contra a violência e a depredação ao patrimônio público. Os manifestantes que invadiram e quebraram tudo não se tocam que no fim das contas, esse prejuízo também sai do nosso bolso e do deles. Não é esse o caminho e nunca foi. Precisamos apurar quem financiou, quem se omitiu e quem participou da invasão aos três poderes.

FF – Como o senhor recebeu o vídeo vazado e como o avalia o comportamento do ministro do GSI neste caso?

AM – A gravação reforça suspeitas muito sérias sobre a interferência de terceiros na atuação do governo ou sobre eventuais omissões e incompetências na resposta do governo após a invasão. O vídeo é um fato novo que mostra que fatos que antes eram considerados mera especulação política ou guerra de narrativas podem, na verdade, ser suspeitas procedentes. Recebi essas informações com surpresa e uma certa indignação; isso tem que ser investigado a fundo para vermos o que de fato ocorreu. É tão inacreditável que parece história de filme. A divulgação das imagens abriram margem para um questionamento importante: qual o motivo do sigilo por parte do Governo Federal? Precisamos identificar e responsabilizar todos os envolvidos, esse é o caminho para mantermos o Estado Democrático de Direito. 

FF – O senhor já se posicionou afirmando que não seria “nem Bolsonaro, nem Lula”, levantando dúvidas quanto ao que você de fato representa e defende no congresso nacional. De que forma o senhor poderá contribuir para as investigações desta CPMI e como encara as críticas quanto a essa neutralidade?

AM – Eu não faço parte de time de torcida organizada. Tenho ideais próprios e deixo muito claro todos os meus posicionamentos para a população. Como sempre pautei o meu trabalho na transparência e na independência, jamais participaria de uma investigação se não fosse para contribuir de forma isenta, apartidária, séria, transparente, com responsabilidade. Um fato como o que foi revelado não pode ser ignorado.

FF – Na sua avaliação, por que o senhor acredita que o governo não quer a instalação desta CPMI? O que é comentado nos corredores de Brasília que não vem à tona para o público em geral?

AM – O governo é totalmente incompetente no quesito articulação no Congresso Nacional e não conseguiu angariar uma base suficientemente forte, portanto teme que a CPMI possa ofuscar projetos que eles consideram mais importantes dentro do parlamento. Na minha opinião, com o vídeo de ontem, ficou claro que as investigações que já estão ocorrendo sobre o 8 de janeiro não têm sido suficientes para esclarecer todos os pontos; nada pode ser considerado mais importante do que isso nesse momento. Os novos fatos mostram que a CPMI é, sim, necessária. A verdade tem que vir à tona doa a quem doer. É preciso saber quem foi omisso, quem estimulou a invasão, quem financiou e quem eram cada uma das pessoas presentes naquele dia. Agora, mesmo declarando que “apoiam” a CPMI, sabemos que na prática isso não é verdade. Não estou vendo outros deputados assinando ou pedindo subscrição ainda.

FF – A partir desta sua posição, o que a população do Amazonas pode esperar do deputado federal Amom Mandel?

AM – Vou contribuir com as investigações participando ativamente das discussões no Congresso e cobrando a instalação da CPMI. Eu apoio a transparência sempre e, se antes achava que o Congresso Nacional não deveria tomar a investigação para si, hoje acho que se não fizermos isso, jamais vamos saber a verdade. Vou continuar lutando por esses ideais de transparência e combate à corrupção em todas as comissões e grupos de trabalho que participo, inclusive cobrando parlamentares que tenho contato no dia-a-dia em acordos de cooperação técnica. Algumas comissões que participo são especialmente relevantes para a fiscalização do governo Lula e do uso das verbas federais por parte de todos os governos estaduais e prefeituras no país: na Comissão Externa de Fiscalização de Obras Públicas, serei um dos responsáveis diretos para apurar os desmandos em obras públicas paralisadas ou inacabadas com verbas federais. Além da BR-319, que tanto afeta o nosso Estado, temos exemplos de escolas, creches, hospitais e até do Porto de Manaus. Faço parte também de dois gabinetes compartilhados. Um deles é o Gabinete de Fiscalização Especializada, onde divido espaço com deputados como Dallagnol e Rosângela, dentre outros parlamentares. Cada um mantém a sua independência e modo de pensar, votar e levar o mandato tanto em uma iniciativa quanto em outra. No caso do Gabinete de Fiscalização Especializada, fui designado como o responsável direto pela fiscalização do Ministério das Cidades, responsável por destinar verbas para a construção de obras como a de apartamentos populares, por exemplo.

FF – O senhor citou dois “gabinetes compartilhados”. Um deles conta com o apoio de deputados ligados ao governo Lula como Duarte Jr. e Tábata Amaral, por exemplo. O que o senhor tem a dizer sobre essa relação com deputados governistas? 

AM – Em todas as iniciativas para cooperações técnicas que participo os deputados tem total liberdade para voltarem como quiserem em qualquer projeto de Lei e levarem o mandato da forma como preferirem. Na outra iniciativa de cooperação técnica que participo, o Gabinete de Fiscalização Especializada, temos deputados como Dallagnol, Eduardo Girão, Kataguiri e Mendonça Filho, por exemplo. Não mudo o meu discurso para agradar nenhum deputado, seja ele governista ou oposicionista. Ser independente é justamente isso: encontrar o equilíbrio e trabalhar em prol dos ideais e propostas de campanha apresentados ao povo custe o que custar, não importando se quem está sentado na cadeira ao lado é da oposição ou da base. 

FF- O senhor falou que integra a Comissão de Fiscalização de obras inacabadas da Câmara dos Deputados. O que isso representa para o senhor e como pretende conciliar seu mandato com as fiscalizações?

AM – As fiscalizações fazem parte do mandato. Não sei porque outros deputados não têm o costume de exercer esse papel, mas é obrigação de todos nós. Não faz sentido perguntar como eu “concilio” as fiscalizações e o mandato, pois ambos são um só: quando eu estou em alguma missão oficial fiscalizando uma obra parada, também estou trabalhando. Quem fica com a bunda sentada no gabinete o tempo inteiro é que está errado.

FF – O senhor já tem o levantamento de quantas obras há inacabadas no Amazonas, especialmente em Manaus, e o que isso representa de negativo para o estado?

AM – Os últimos números que apuramos divulgados pelos órgãos de controle federais mostram que existem pelo menos 292 obras paralisadas no Amazonas. Só aí já é quase meio bilhão de reais desperdiçados pela corrupção ou incompetência dos nossos gestores. Nós temos em Manaus dezenas de creches inacabadas porque a parceria com a Prefeitura resultou em prédios fantasmas e obras em locais inadequados. Centenas de famílias são afetadas porque os pais não têm um lugar seguro para deixar as crianças. Fora as Unidades Básicas de Saúde, o Porto de Manaus, e outras obras de infraestrutura pela cidade. Aprovamos requerimentos para resgatar os números atualizados dessas obras e darmos início a essas fiscalizações. 

FF – A partir deste dado, qual a sua sugestão para dar continuidade a essas obras ou mesmo barrar futuras paralisações?

AM – Nós já apresentamos alguns requerimentos que foram aprovados pela comissão para fazer algumas visitas técnicas em obras importantes em Manaus que estão inacabadas, como no Hemoam e no Porto de Manaus. Pretendemos fazer visitas técnicas com representantes do Conselho Regional de Engenharia, por exemplo, dentre outros órgãos e entidades, para que possamos saber as necessidades de cada caso e o que precisa ser feito para dar continuidade. Também vamos buscar a responsabilização dos gestores, afinal, investir milhões de reais em uma obra e ela ficar meses ou anos inacabada mostra que, no mínimo, houve descaso com a população e com o dinheiro público.

FF – Recentemente o senhor visitou a Fundação Cecon, em Manaus, ao lado do governador Wilson Lima e do presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade. Isso é um aceno para uma possível parceria para as eleições em 2024?

AM – De jeito nenhum. O que fiz foi uma denúncia bem pesada há cerca de 2 meses. Um andar inteiro estava vazio e sem utilização no hospital. Após essa denúncia, o governador tomou as devidas providências e me convidou para mostrar e provar, pessoalmente, que de fato o problema foi resolvido. Compareci ao evento, visitei o andar e, ao final, agradeci a ele por ter tido uma postura responsável e resolvido o problema ao invés de tentar ocultar a situação e me retaliar; essa era a postura correta a se tomar nesse tipo de situação e o que se espera de um gestor público. Preciso ser justo ao cobrar e reconhecer os acertos quando resolvem o problema. Sou civilizado. Com certeza ainda temos muitos outros problemas na esfera estadual para serem resolvidos, porém agora tenho a esperança de que em casos como esse, quando encaminharmos esse tipo de demanda, a população seja atendida o mais rápido possível, tal como nesse caso. Reformaram tudo e compraram novos equipamentos. Vou continuar encaminhando denúncias e sugestões do tipo diretamente ao governo ou aos deputados estaduais, dependendo do caso.

FF – O senhor já pensou na possibilidade de oficializar uma pré-candidatura para disputar a Prefeitura de Manaus como titular ou vice numa chapa para 2024?

AM – Essa não é a minha tendência. O prefeito parece estar desesperado me atacando com fake news sobre os meus votos, posicionamentos e atitudes, mas o que tenho a dizer é que, nesse momento, estou focado em cumprir as minhas promessas de campanha, tal como fiz quando era vereador. Só vou pensar em qualquer outra coisa se tiver pelo menos encaminhando o cumprimento das propostas de campanha. O futuro, só Deus sabe.

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