Cobertura exclusiva do Foco revela que Casa pagou mais de R$ 12 milhões em salários extras
Escândalo dos supersalários, milhões em gastos, “Cotão” e recesso: a sequência de polêmicas da Aleam

O Portal Foco no Fato revelou, ao longo dos últimos anos, uma série de reportagens que colocaram a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) no centro de sucessivas polêmicas envolvendo salários acima do teto constitucional, gastos milionários com dinheiro público e decisões que impactam diretamente a população amazonense.
Em abril de 2025, o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) instaurou investigação para apurar possíveis irregularidades nos chamados “supersalários” pagos aos deputados estaduais.
Meses depois, a própria Aleam reconheceu que os vencimentos estavam em desacordo com a Constituição Federal e apresentou, em fevereiro de 2026, um Projeto de Lei reduzindo os subsídios de R$ 46 mil para cerca de R$ 34 mil, conforme determina a legislação.
O projeto foi aprovado pelo plenário em março e sancionado pelo então governador interino Roberto Cidade. No entanto, mesmo após a entrada em vigor da nova lei, a Assembleia continuou pagando salários de R$ 46 mil aos parlamentares, descumprindo a própria norma que aprovou.
Levantamento exclusivo realizado pelo Foco aponta que, entre 2023 e 2026, os pagamentos acima do limite constitucional ultrapassaram R$ 12 milhões. O próprio texto da lei aprovou a convalidação desses pagamentos, o que, na prática, significa que os valores não serão devolvidos aos cofres públicos.
A disparidade salarial também chama atenção. Atualmente, um deputado estadual recebe aproximadamente 29 vezes mais do que um trabalhador que ganha o salário mínimo de R$ 1.621, evidenciando a distância entre a realidade da classe política e a do cidadão comum.
Além dos altos salários, os parlamentares já consumiram, somente nos quatro primeiros meses deste ano, mais de R$ 4 milhões da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, o chamado “Cotão”, verba destinada ao custeio das atividades do mandato.
As críticas não param por aí. Após pouco menos de cinco meses de atividades legislativas em 2026, os deputados entraram em recesso parlamentar, situação que contrasta com a rotina do trabalhador brasileiro, que enfrenta a escala 6×1, jornadas de oito horas diárias e só tem direito a férias após um ano de trabalho.
Enquanto desfrutam de altos salários, benefícios e períodos de recesso, a Assembleia também foi alvo de críticas por arquivar propostas consideradas de interesse da população. Entre elas, um projeto que, segundo o autor, beneficiaria milhares de motoristas amazonenses ao eliminar uma exigência de vistoria para o licenciamento de veículos.
A sequência de episódios — envolvendo supersalários, gastos milionários, descumprimento da própria legislação, uso do Cotão e recesso parlamentar — mantém a Aleam sob intenso escrutínio e amplia o debate sobre transparência, responsabilidade fiscal e o uso dos recursos públicos no Amazonas.











