Há quase 40 anos no poder, Lula, Omar e Braga prometem solução para problemas que envelheceram junto com eles

Três das figuras mais longevas da política brasileira e amazonense chegam a 2026 novamente apresentando propostas para enfrentar problemas que atravessaram justamente o período em que ocuparam alguns dos cargos mais importantes do país e do Amazonas. A eleição de 2026 coloca novamente no centro do debate três personagens conhecidos há décadas pelo eleitor: Lula, …

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Três das figuras mais longevas da política brasileira e amazonense chegam a 2026 novamente apresentando propostas para enfrentar problemas que atravessaram justamente o período em que ocuparam alguns dos cargos mais importantes do país e do Amazonas.

A eleição de 2026 coloca novamente no centro do debate três personagens conhecidos há décadas pelo eleitor: Lula, Omar Aziz e Eduardo Braga. Juntos politicamente em torno do mesmo campo nacional, eles carregam também uma característica em comum: uma extensa trajetória de mandatos, cargos e influência sobre os rumos do poder público.

E é justamente aí que surge uma pergunta inevitável: depois de tantas décadas ocupando espaços de poder, até que ponto o discurso de “resolver os problemas” ainda representa novidade?

Lula iniciou sua trajetória eleitoral nacional ainda nos anos 1980 e chegou à Presidência da República pela primeira vez em 2003. Omar Aziz construiu sua carreira política no Amazonas desde os anos 1990, passando pela Câmara Municipal de Manaus, vice-governadoria, Governo do Estado e Senado. Eduardo Braga também acumula décadas de vida pública, tendo passado pela Assembleia Legislativa, Prefeitura de Manaus, Governo do Amazonas, ministério e Senado.

São trajetórias diferentes, mas que atravessaram boa parte da história política recente do Brasil e, principalmente no caso de Omar e Braga, do Amazonas.

BR-319, infraestrutura, saúde pública, geração de emprego, desenvolvimento econômico, desigualdade social, segurança, saneamento e dificuldades enfrentadas pelos municípios do interior continuam aparecendo eleição após eleição nos discursos políticos.

A crítica que naturalmente emerge dessa longevidade é simples: se os problemas são antigos e os personagens também, quem deve responder pelo que ainda não foi resolvido?

No Amazonas, essa discussão ganha ainda mais força porque Omar Aziz e Eduardo Braga já estiveram no comando direto do Estado. Ambos governaram o Amazonas e posteriormente chegaram ao Senado, mantendo influência política em Brasília.

Lula, por sua vez, governou o Brasil entre 2003 e 2010, retornou à Presidência em 2023 e novamente chega ao ciclo eleitoral de 2026 defendendo a continuidade de seu projeto político.

Ou seja: não são candidatos tentando chegar ao poder pela primeira vez. São políticos que tiveram e, ainda têm, poder para transformar promessas em políticas públicas.

O ponto central da eleição de 2026 pode deixar de ser apenas aquilo que Lula, Omar e Braga prometem fazer e passar a incluir uma cobrança sobre aquilo que tiveram oportunidade de fazer ao longo de suas extensas trajetórias políticas.

É justamente essa contradição que adversários devem explorar durante a campanha.

Quando uma nova liderança promete resolver um problema histórico, pode pedir ao eleitor uma oportunidade. Quando políticos com décadas de mandatos apresentam novamente soluções para questões igualmente antigas, a cobrança tende a ser diferente:

por que essas soluções não vieram antes?

No Amazonas, a pergunta ganha peso especial diante da longevidade de Omar e Braga. Os dois já foram governadores, senadores e protagonistas de diferentes arranjos políticos no Estado.

Agora, alinhados ao projeto nacional liderado por Lula, chegam novamente ao debate eleitoral defendendo propostas para o futuro.

2026 pode virar confronto entre continuidade e renovação

É nesse terreno que os adversários devem tentar transformar a eleição em um plebiscito entre continuidade e renovação.

De um lado, Lula, Omar e Braga poderão apresentar experiência, capacidade de articulação e histórico administrativo como credenciais.

Do outro, adversários poderão usar exatamente essa experiência contra o trio: quanto maior o tempo no poder, maior também a responsabilidade sobre os problemas acumulados durante esse período.

Depois de quase quatro décadas de protagonismo político, portanto, a eleição pode colocar uma pergunta desconfortável no centro do debate:

Lula, Omar e Braga são a solução para os velhos problemas ou fazem parte de uma estrutura política que teve décadas para solucioná-los?

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