Irmão de Flávio Dino vota contra abertura de investigação sobre Gonet

Subprocurador-geral da República é irmão do ministro do STF

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O subprocurador-geral da República Nicolau Dino, irmão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (25) contra a abertura de investigação sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para apurar possíveis irregularidades envolvendo o caso Master.

O voto contrário de Nicolau Dino ocorreu durante sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) para analisar a abertura de procedimento destinado a apurar eventuais irregularidades. A votação teve cinco votos contrários, incluindo o de Dino, contra quatro favoráveis à abertura da investigação.

Na mesma sessão, os conselheiros também decidiram manter Gonet na condução dos processos relacionados ao caso. Nesse ponto, o colegiado registrou placar unânime de 9 votos a 0 para não afastar o procurador das funções.

Votos

As manifestações contrárias à investigação foram proferidas pelo relator, Francisco Sanseverino, e pelos subprocuradores Celso Albuquerque, Alexandre Camanho, Hindenburgo Chateaubriand e Nicolau Dino.

Os votos pela abertura da investigação foram proferidos pelos subprocuradores Janice Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski, José Adonis e Ana Borges Santos.

Durante a análise do caso, Hindenburgo Chateaubriand, que votou contra a investigação, disse que Gonet só poderia ser afastado pela Justiça e afirmou que não há indícios de “amizade íntima” entre Gonet e Vorcaro.

“Não há rigorosamente nada que possa sugerir que o procurador-geral da República tenha algum tipo de amizade íntima com esse investigado. Jamais vi alguém ser considerado amigo íntimo de alguém que sequer consta da agenda telefônica”, afirmou.

A subprocuradora Ana Borges disse que o caso Master pode ser tratado como um “escândalo de corrupção” no setor financeiro. Além disso, ela entendeu que Gonet não poderia ter solicitado ao Supremo a anulação do relatório da PF que revelou as menções ao nome do procurador.

“Há elementos suficientes para caracterizar, em tese, o dolo específico para imputar ao procurador-geral o crime de prevaricação, e assim autorizar uma investigação criminal”, completou.

Mensagens

As mensagens que citam Gonet vieram à tona após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de parte da investigação que também cita mensagens do ex-banqueiro enviadas a um celular atribuído ao ministro Alexandre de Moraes.

De acordo com a PF, Vorcaro intensificou o envio de mensagens para o número atribuído a Moraes nos dias anteriores à prisão, que ocorreu em 17 de novembro do ano passado.

No dia 15 de novembro de 2025, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações da PF, que ainda tramitavam na primeira instância da Justiça Federal em Brasília, e citou os nomes de Paulo Gonet e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Na mensagem, o ex-banqueiro escreveu: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, afirmou.

Apesar da citação, não há indícios de que Gonet e Andrei tenham interferido nas investigações.

Fotos reveladoras

Na semana passada, o jornal O Globo publicou uma foto na qual Gonet aparece com Vorcaro e outras pessoas ligadas ao ex-banqueiro durante um evento jurídico promovido pelo Master, em abril de 2024, em Londres.

Após o surgimento das conversas, Gonet negou proximidade com Vorcaro e disse que sua interação com ele ocorreu de forma “brevíssima e banal”.

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