Daniel Zonshine tem histórico conflituoso com o governo Lula, e fez críticas veladas ao Planalto ao se encontrar com parlamentes
Israel: antes de deixar cargo, embaixador encontra políticos e alfineta governo

Diante de um conflituoso histórico com o governo Lula, o embaixador de Israel, Daniel Zonshine, se encontrou com caciques do Republicanos antes de deixar o cargo na próxima terça-feira (12). O partido é ligado à Igreja Universal e abriga parlamentares evangélicos, boa parte de oposição.
Durante a agenda, Zonshine elogiou o Congresso e fez críticas indiretas ao Planalto: “Aqui, na Casa que representa o povo brasileiro, houve bons encontros, iniciativas, projetos de lei, exposições, debates e outras atividades que, para nós, substituíram as boas relações que nem sempre tivemos com o governo”.
Apesar de seguirem uma religião diferente, o Cristianismo, as igrejas evangélicas brasileiras possuem uma boa relação com Israel, país majoritariamente judeu. A oposição bolsonarista usa essa afinidade ideológica para desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelas posições do governo contra o massacre na Faixa de Gaza, consideradas pró-Palestina.
O líder do Republicanos na Câmara, Gilberto Abramo (MG), seguiu o mesmo tom: “Tenho certeza de que, apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelo embaixador durante sua estada no Brasil, ele parte com a convicção de que nunca esteve sozinho e de que construiu sólidos laços de amizade”.
Um dos episódios que evidenciou a distância de Zonshine e o governo Lula foi o encontro do embaixador de Israel com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Aconteceu em novembro de 2023, logo após o ataque terrorista do Hamas a Israel, e a insatisfação do governo Netanyahu sobre a posição do Planalto diante da crise.
Novo capítulo na crise
Daniel Zonshine chefia a missão diplomática de Israel no Brasil desde 2021, mas deixará o país na próxima terça-feira (12/8), para se aposentar. Dessa forma, o Brasil deverá ficar sem embaixador de Israel na próxima semana, em meio à crise diplomática entre os dois países por conta da guerra na Faixa de Gaza.
Com a saída do atual embaixador israelense no Brasil, a representação diplomática ficará sem um chefe do primeiro escalão, o que pode ser traduzido como o distanciamento de um país em relação a outro no mundo diplomático. A decisão de deixar o cargo vazio não parte da administração israelense, mas do governo Lula.
Em janeiro deste ano, o ex-embaixador de Israel na Colômbia, Gali Dagan, foi indicado para assumir o posto no Brasil. Mas, até o momento, o Itamaraty escolheu não dar seguimento ao seu agrément, uma espécie de “permissão” necessária para um diplomata assumir uma embaixada.
Com informações de Metrópoles











