Cenário expõe urgência de investimentos para prevenir e reduzir impactos
Manaus está entre as capitais com maior risco climático do país, segundo levantamento

Segundo dados do Observatório do Clima, Manaus está entre as capitais brasileiras com maior combinação de riscos relacionados a inundações e deslizamentos. O levantamento foi realizado com base em dados da plataforma AdaptaBrasil, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
A capital amazonense aparece ao lado de cidades como Salvador (BA), Belém (PA) e Macapá (AP), em um cenário que expõe a urgência de investimentos para prevenir e reduzir os impactos dos eventos climáticos extremos.
O alerta ganha ainda mais relevância às vésperas das eleições de 2026. Os governantes escolhidos no próximo pleito terão papel direto na definição de políticas públicas, investimentos e estratégias capazes de preparar estados e municípios para uma realidade marcada por chuvas intensas, alagamentos, enchentes, deslizamentos e outros eventos cada vez mais frequentes e severos.
Em todo o Brasil, mais de 80% dos municípios apresentam vulnerabilidade média, alta ou muito alta a desastres geo-hidrológicos. São cerca de 4,5 mil das aproximadamente 5,5 mil cidades brasileiras classificadas nos três níveis mais elevados de vulnerabilidade. O indicador considera não apenas a exposição das cidades a fenômenos como inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos, mas também a capacidade dos municípios de responder aos impactos e se recuperar depois dos desastres.
Risco elevado
Os dados revelam a dimensão do problema. No caso das inundações, enxurradas e alagamentos, 1.513 municípios brasileiros, o equivalente a 27% do total, apresentam risco alto ou muito alto.
Quando o foco são os deslizamentos, a situação também preocupa. Ao todo, 2.930 municípios, ou 53% das cidades brasileiras, estão classificados nos níveis médio, alto ou muito alto de risco. Em 1.041 municípios, o equivalente a 19% do país, o risco é considerado alto ou muito alto.
Entre as capitais, Salvador lidera a combinação de riscos de inundação e deslizamento. Na sequência aparecem Belém, Manaus e Macapá. O levantamento também evidencia a concentração do problema no Nordeste, que reúne cinco das dez capitais com maior risco, incluindo Recife, Maceió, João Pessoa e Aracaju.
Para Manaus, os números reforçam uma preocupação já conhecida por moradores de áreas vulneráveis: os impactos das chuvas vão além dos transtornos no trânsito e dos alagamentos. Deslizamentos, erosões, inundações e a ocupação de áreas de risco colocam comunidades inteiras diante da possibilidade de perdas materiais e, principalmente, de vidas.
Desigualdade climática
A vulnerabilidade aos desastres não depende apenas da intensidade da chuva ou das características geográficas de uma cidade. As condições sociais e a infraestrutura disponível têm peso decisivo. Populações de menor renda, por exemplo, tendem a viver em áreas mais expostas aos riscos e, ao mesmo tempo, dispõem de menos recursos para enfrentar uma emergência e reconstruir a vida depois de um desastre.
Por isso, especialistas defendem que o enfrentamento da crise climática precisa estar ligado a políticas de habitação, saneamento, drenagem urbana, planejamento territorial e redução das desigualdades.









