Mesmo preso, vereador acusado de rachadinha recebeu R$ 26 mil em outubro

Rosinaldo Bual obrigava assessores a devolverem parte do salário

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Preso desde 3 de outubro, o vereador Rosinaldo Bual (Agir), suspeito de liderar um esquema de rachadinha dentro do próprio gabinete, continua recebendo salário da Câmara Municipal de Manaus (CMM).

O parlamentar recebeu o vencimento integral do mês passado, conforme constatado pelo Foco no Portal da Transparência da Casa. Os gastos referentes ao chamado “Cotão” ainda não foram publicados pela Câmara.

O recebimento de salário mesmo estando atrás das grades levanta questionamentos sobre o processo.

Rosinaldo Bual foi preso em outubro, acusado pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) de ser o líder de uma organização criminosa instalada dentro do próprio gabinete.

Segundo a acusação, ele obrigava os assessores lotados em seu gabinete a repassar parte do salário, o que configura prática de peculato.

Após um mês da prisão, o vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) cobrou um posicionamento da Mesa Diretora do Parlamento Municipal para a abertura de um processo de cassação do parlamentar.

O Foco publicou uma série de matérias sobre os desdobramentos da prisão. Segundo noticiado pelo portal, o parlamentar foi campeão de gastos com combustível em agosto, além de contratar uma empresa de roupas para divulgar atividade parlamentar — o que levanta suspeitas sobre irregularidades no Cotão.

Campeão de gastos com combustível

No centro de um escândalo que o aponta como líder de uma organização criminosa responsável por “rachadinha” na CMM, o vereador Rosinaldo Bual (Agir) liderou os gastos com combustível em agosto, por meio da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), o chamado Cotão.

Empresa de roupas para divulgar atividades

O vereador Rosinaldo Bual (Agir), preso sob suspeita de operar um esquema de “rachadinha” dentro de seu gabinete, desembolsou, em agosto, R$ 16,5 mil dos cofres públicos para contratar uma empresa de roupas com o objetivo de promover a “divulgação da atividade parlamentar”.

O valor refere-se à Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), o chamado “Cotão”, e foi destinado à empresa Maely Indústria e Comércio de Confecções LTDA, cuja principal atividade, segundo a Receita Federal, é a “confecção, sob medida, de peças do vestuário, exceto roupas íntimas”.

Entidade pede cassação

O Comitê Amazonas de Combate à Corrupção entrou com uma representação na Câmara Municipal de Manaus (CMM), no mês passado, pedindo a cassação do vereador Rosinaldo Bual (Agir), preso sob suspeita de liderar um esquema de rachadinha dentro do próprio gabinete.

O documento sustenta que o vereador usou o mandato para praticar atos de corrupção e se baseia na legislação nacional, no Regimento Interno da CMM e na Lei Orgânica do Município de Manaus, apontando possível quebra de decoro parlamentar.

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