Para Lula e a esquerda reunida, vale tudo — só não vale perder

EDITORIAL DO FOCO O poder não pode ser um patrimônio particular. A Presidência pertence ao povo brasileiro, que tem o direito de escolher quem governa e de substituir quem já não corresponde às suas expectativas. Essa regra precisa valer também quando a possibilidade de derrota bate à porta de Lula e de seus aliados. É …

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EDITORIAL DO FOCO

O poder não pode ser um patrimônio particular. A Presidência pertence ao povo brasileiro, que tem o direito de escolher quem governa e de substituir quem já não corresponde às suas expectativas. Essa regra precisa valer também quando a possibilidade de derrota bate à porta de Lula e de seus aliados.

É nesse ponto que cabe a crítica deste editorial: a lógica do “vale tudo, só não vale perder” transforma uma eleição em uma disputa sem limites, na qual preservar o poder passa a justificar aquilo que, em outras circunstâncias, seria condenado com discursos inflamados.

Quando a própria vitória é apresentada como a única escolha legítima, o eleitor deixa de ser tratado como cidadão livre. Seu voto passa a ser aceito sob condição: merece respeito desde que confirme a vontade de quem governa.

Lula e a esquerda reunida precisam responder a uma pergunta simples: a democracia que defendem comporta uma derrota nas urnas?

Não basta responder com slogans. É preciso reconhecer legitimidade ao adversário, aceitar o contraditório e abandonar a pretensão de dividir o Brasil entre os que supostamente representam a democracia e os que, apenas por discordarem do governo, seriam seus inimigos.

Criticar Lula é um direito. Rejeitar o PT é uma escolha legítima. Defender outro projeto para o país faz parte da liberdade política. Nenhuma dessas posições exige autorização de quem ocupa o Palácio do Planalto.

O mesmo rigor deve orientar a campanha. Acusações exigem provas. Promessas exigem responsabilidade. A estrutura pública deve servir à população. E a exploração do medo não pode substituir o debate sobre os resultados de um governo e o futuro que ele oferece.

Ao eleitor interessa saber como viverá melhor, como terá mais segurança, quanto seu salário poderá comprar e quais oportunidades existirão para sua família. Uma candidatura precisa conquistar essa confiança. Não pode exigir gratidão permanente, obediência ideológica ou um cheque em branco.

Para o FOCO NO FATO, a disputa pelo poder perde sua legitimidade ética quando vencer se torna mais importante do que respeitar os limites que tornam a própria disputa democrática.

Lula tem o direito de pedir votos. A esquerda tem o direito de se reunir para defendê-lo. Ambos têm o dever de aceitar que o Brasil pode escolher outro caminho.

Quem pretende governar uma democracia precisa admitir que pode perder. O país não deve a vitória a ninguém.

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