PF celebra resultado de operação no interior do AM, mas políticos falam em abusos

Operação foi alvo de denúncias no Congresso Nacional, principalmente no Senado

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A Polícia Federal divulgou um balanço final destacando os números da Operação Boiúna, realizada no interior do Amazonas para o combate ao garimpo ilegal. Apesar dos dados considerados positivos pela corporação, a ação foi duramente criticada por políticos e moradores. Uma comitiva do Senado já anunciou que realizará diligências para apurar supostos abusos cometidos por agentes federais.

Segundo a PF, a operação, que ocorreu entre os dias 10 e 24 deste mês nos municípios de Humaitá e Manicoré, resultou na destruição de 277 dragas utilizadas na extração ilegal de ouro, com um prejuízo direto estimado em R$ 38 milhões, de acordo com laudos técnicos periciais.

Apesar dos resultados, a operação foi alvo de denúncias no Congresso Nacional, principalmente no Senado. Políticos alegam que a ação teve um efeito ambiental contrário ao proposto: a explosão de balsas e dragas teria gerado densa fumaça e poluído o ar e as águas da região, afetando diretamente a população ribeirinha.

Moradores relataram sensação de terror diante da abordagem da PF. O senador Omar Aziz (PSD) chegou a comparar a operação a uma guerra, semelhante ao conflito entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza.

A Prefeitura e a Câmara Municipal de Manicoré, um dos municípios atingidos, divulgaram nota conjunta condenando a operação e relatando possíveis abusos cometidos por agentes federais.

Senado fará diligência

Diante da repercussão negativa, a Comissão de Direitos Humanos do Senado (CDH), presidida por Plínio Valério (PSDB) e com participação da senadora Damares Alves (Republicanos), anunciou que realizará diligências nos municípios afetados para ouvir a população e verificar possíveis violações de direitos.

“Tudo isso foi muito grave. As imagens são estarrecedoras. Bombas, explosões, uma cidade toda em pânico. Trabalhadores ribeirinhos sendo tratados como criminosos, isso não pode se repetir. Estamos falando de famílias, de trabalhadores que sobrevivem do pouco que conseguem extrair. Não são clandestinos nem criminosos”, afirmou Plínio Valério.

“Vamos ouvir essas pessoas, registrar seus relatos e cobrar providências das autoridades competentes”, concluiu.

Como foi feito o balanço

Os valores do impacto da operação consideram:

•             Prejuízo patrimonial com a destruição dos equipamentos;
•             Valor do ouro extraído ilegalmente nos últimos sete meses;
•             Danos socioambientais acumulados na região;
•             Lucros cessantes estimados pela interrupção da atividade ilegal.

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