Propaganda do Hamas explora crianças gravemente doentes, e a mídia ocidental compactua, segundo Eitan Fischberger

Eitan Fischberger é jornalista americano-israelense.

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Por Eitan Fischberger

No fim de semana, acompanhei as Forças de Defesa de Israel (IDF) em Gaza, onde vi as enormes quantidades de ajuda humanitária que as Nações Unidas se recusam a distribuir. O que mais me impressionou foram as toneladas e mais toneladas de comida infantil, assando sob o sol do Oriente Médio — frascos e mais frascos de purê de cenoura, batata e misturas de frutas. Essa comida poderia ter sido destinada a crianças como Mohammed al-Mutawaaq.

Quem não conhece o nome, com certeza reconhecerá o rosto. Imagens dele, magro e frágil, olhando fixamente para a câmera, estamparam as páginas iniciais dos principais veículos da mídia na semana passada — de New York Times e Politico à BBC. Mohammed tornou-se, mais do que qualquer outro, o símbolo de uma acusação devastadora: a de que Israel está deliberadamente famindo crianças palestinas.

Mas essa não é a verdade sobre Mohammed, nem sobre o que está acontecendo em Gaza. Segundo o jornalista investigativo britânico David Collier, Mohammed sofre de paralisia cerebral, conforme revelado em um relatório de uma ONG local publicado em maio de 2025. A CNN, por sua vez, mencionou de passagem durante uma transmissão que Mohammed sofria de um “distúrbio muscular”, mas omitiram essa informação em reportagens posteriores. Outra omissão notável de praticamente toda a cobertura da mídia foram as fotos em que Mohammed aparece no colo da mãe, com seu irmão mais velho ao lado. Ambos, mãe e irmão, parecem saudáveis e bem alimentados.

“Crianças em Gaza estão desnutridas e famintas”, escreveu de forma inabalável uma nota editorial de 29 de julho no New York Times. O jornal admitiu que “tomou conhecimento de novas informações” e “atualizou a reportagem para incluir o contexto sobre os problemas de saúde preexistentes [de Mohammed]”. Esse contexto teria sido mais útil antes de publicar sua imagem na capa e alimentar a indignação mundial.

O caso de Mohammed não é o único recente em que bebês gravemente doentes foram explorados para promover uma narrativa falsa de que Israel estaria intencionalmente causando fome em crianças gazenses. A unidade militar israelense COGAT, responsável pela coordenação de ajuda humanitária nos territórios palestinos, tuitou na segunda-feira sobre uma foto viral de outra criança, Osama al-Raqab. Assim como Mohammed, Osama parecia desnutrido, e críticos culparam Israel. Entre esses críticos está o Dr. Muneer Alboursh, diretor do Ministério da Saúde de Gaza (controlado pelo Hamas), que afirmou que Israel tentava “enganar a opinião pública alegando que ele sofria de outras doenças, e não de fome”, e que “o que está acontecendo não é propaganda, é fome real”.

Contudo, segundo o COGAT — e confirmado anteriormente pela mãe do menino à Associated Press — Osama sofre de fibrose cística. Em 12 de junho, Israel coordenou sua evacuação para a Itália, junto com sua mãe e irmão, para que recebesse tratamento médico.

“Imagens trágicas despertam emoções fortes com razão”, disse o post do COGAT.
“Mas quando são usadas para alimentar o ódio e mentiras, fazem mais mal do que bem.”

Esse mal ficou evidente para mim em Gaza, onde estive cercado por quase 600 caminhões cheios de comida, água e fraldas, prontos para serem entregues. A ONU se recusou a fazer a distribuição, alegando que não poderia operar com segurança sob proteção das IDF. Em vez disso, pediu que a segurança fosse fornecida pela chamada “Polícia Azul de Gaza” — um eufemismo para as forças de segurança interna do Hamas. Trata-se do mesmo grupo que a ONU já acusou repetidamente de roubar ajuda humanitária, inclusive em outubro de 2023, poucas semanas após o massacre liderado pelo Hamas.

Além de rejeitar a proteção das IDF, a ONU também se recusou a cooperar com a Gaza Humanitarian Foundation, mesmo com apoio dos EUA. O resultado: a comida destinada a crianças como Mohammed é deixada para apodrecer. Em termos simples, a ONU prefere trabalhar com o Hamas do que com os israelenses ou americanos.

Desde 7 de outubro de 2023, Israel já coordenou e facilitou a entrada de mais de 1,86 milhão de toneladas de ajuda humanitária em Gaza — mais de 78% composta por alimentos. A população da Faixa de Gaza é de cerca de 2,1 milhões. O único esforço comparável na história moderna é a ponte aérea de Berlim (1948–49), quando os Aliados entregaram 2,3 milhões de toneladas de suprimentos a 2,5 milhões de berlinenses em 15 meses — e, mesmo assim, a ajuda era para uma população aliada.

“Não há precedente histórico para um exército fornecer esse nível de ajuda direta a uma população inimiga, como Israel fez com Gaza”, escreve John Spencer, do Modern War Institute de West Point.

Mas esses fatos raramente chegam ao público. Em vez disso, o mundo vê a foto de uma criança sofrendo, assume o que os editores querem que se assuma, e compartilha sem fazer perguntas. O contexto é removido. Existe sofrimento real em Gaza. Mas quando esse sofrimento é explorado como propaganda, e os sistemas humanitários são paralisados por ideologia e política, os mais vulneráveis — como o pequeno Mohammed al-Mutawaaq — é que pagam o preço.

Eitan Fischberger é jornalista americano-israelense.
Publicado na edição impressa de 31 de julho de 2025 com o título “Fotos de Fome em Gaza Contam Mil Mentiras”.

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