Anderson Bandeira é suspeito de integrar uma organização criminosa responsável por golpe milionário
Saiba quem é o pastor “esperança” do PL expulso após golpe milionário

Ao anunciar Anderson Bandeira como primeiro pré-candidato a deputado estadual no Amazonas pelo PL, refletia-se a importância que ele tinha dentro do núcleo partidário e a confiança do líder da legenda, Alfredo Nascimento (PL).
Pastor, Anderson se apresentava nas redes sociais como um homem íntegro; dizia-se cristão, servo de Deus, lia versículos bíblicos para seu público e falava sobre honestidade. Mas, por trás das câmeras, ele seria outra pessoa.
Usava o discurso conservador-cristão para transparecer ao seu público a importância da fé e projetava sua candidatura à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Mas sua máscara caiu quando ele foi alvo da Operação Negócio Turvo, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) na última terça-feira (24), para desarticular uma organização criminosa responsável por um golpe avaliado em R$ 75 milhões, por meio de pirâmide financeira.
Segundo a investigação, a quadrilha, por meio de empresas fraudulentas, captava recursos de pessoas prometendo retornos acima dos obtidos no mercado financeiro legal. Para passar a impressão de negócio honesto, a empresa pagava as primeiras parcelas, mas, posteriormente, os valores eram suspensos.
A operação foi deflagrada pelo 25º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que cumpriu oito mandados de prisão e nove mandados de busca e apreensão domiciliar, além de três empresariais, sendo um no estado do Rio de Janeiro.

Segundo o titular da delegacia, o delegado Leonardo Marinho, as investigações tiveram início a partir do registro de boletins de ocorrência em diversas delegacias da capital, além da oitiva de testemunhas e de ex-funcionários de uma empresa responsável pela captação de clientes interessados em obter rendimentos financeiros.
“A empresa prometia ganhos vultosos, de forma fraudulenta, a vítimas, como servidores públicos, utilizando dados do Portal da Transparência para induzi-las à contratação de empréstimos bancários. Os valores eram rapidamente transferidos para contas controladas pela organização criminosa, sendo firmados contratos de cessão de crédito com o objetivo de dar aparência de legalidade às operações”, relatou o delegado.
Quem foi preso na operação
Foram presos Adrião Severiano Nunes Júnior, Bruno Muniz Rodrigues, Carla Castro da Silva, Gabriel Azevedo da Fonseca, João Pedro Guimarães de Araújo, Raquel Souza da Silva, Tayana Graça da Silva Alé e Tony Philip Ferreira da Silva.
Papel de Anderson
As apurações também constataram que parte dos investigados era composta por ex-funcionários de outra empresa, igualmente envolvida em esquema de pirâmide financeira, com modus operandi semelhante. Em razão da experiência adquirida, esses indivíduos passaram a atuar na empresa atualmente investigada.
“Foram realizadas diversas análises de vínculos entre os investigados, o que permitiu identificar que a organização era totalmente estruturada, com membros diretivos e sócios da empresa, Bruno e João, ambos já presos, contando ainda com o apoio de Anderson”, explicou o delegado.
Ação policial
Em Manaus, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em diversos bairros, incluindo a empresa alvo da operação.
Durante as diligências, foram apreendidos 32 veículos, sendo 28 carros e quatro motocicletas. Os policiais também realizaram diligências em um condomínio residencial no bairro Parque 10 de Novembro, zona centro-sul da capital.
Todos os veículos foram encaminhados à sede da Delegacia-Geral (DG). Além disso, foram apreendidos uma arma de fogo, munições, documentos, notebooks, pendrives e discos rígidos.
Os envolvidos responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, estelionato, falsidade ideológica e falsificação de documentos, permanecendo à disposição da Justiça.
Procurados
A PC-AM solicita que qualquer informação sobre o paradeiro de Anderson Ricardo Lima dos Santos, Carlos Augusto da Silva Freitas e Emanuelle Rosa Ramos dos Santos seja repassada pelos números (92) 3667-7625 (apenas ligações), do disque-denúncia do 25º DIP; 197 ou (92) 3667-7575, da PC-AM; ou pelo 181, da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM). A identidade do denunciante será mantida em absoluto sigilo.
Partido expulsou
Após a repercussão do caso, o PL amazonas afirmou que expulsou Anderson da sigla. Veja nota na íntegra.











