Silêncio incômodo: Sargento Salazar não se posiciona a favor de Bolsonaro e decepciona a direita no Amazonas

Enquanto cresce o movimento de apoio a Jair Bolsonaro no estado, vereador de Manaus opta pela omissão e enfrenta críticas de aliados conservadores

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O silêncio do vereador Sargento Salazar (PL) diante das operações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no Amazonas tem causado incômodo crescente entre lideranças e eleitores da direita local. Conhecido por sua origem conservadora e por integrar um partido que tem Bolsonaro como principal referência, Salazar tem evitado manifestações públicas de apoio ao ex-presidente, uma postura que começa a gerar desgaste na Direita do estado.

Para muitos militantes e articuladores do campo conservador, a omissão de Salazar é vista como uma traição silenciosa. Em um momento em que nomes como o governador Wilson Lima, o deputado Capitão Alberto Neto e lideranças como Coronel Menezes, Débora Menezes e Maria do Carmo se posicionaram claramente ao lado de Bolsonaro, a ausência de posicionamento do vereador chama atenção e levanta questionamentos sobre sua real lealdade ao projeto da direita.

“É decepcionante. Ele se elegeu com o discurso conservador, surfando nessa onda, e agora se esconde quando o grupo precisa de firmeza. Isso não é liderança”, criticou um influente ativista do PL nas redes sociais.

Internamente, o incômodo também é perceptível. Segundo fontes ligadas ao diretório estadual do PL, Salazar tem sido cobrado por sua falta de posicionamento e por não participar de atos ou declarações públicas que reafirmem o apoio ao ex-presidente. A ausência dele em agendas simbólicas do bolsonarismo local vem sendo interpretada como sinal de distanciamento — ou, pior, oportunismo político.

“Ou ele está com Bolsonaro ou está tentando agradar outros grupos. A direita no Amazonas está cansada de quem quer o voto do nosso povo, mas tem vergonha de defender abertamente o presidente que representa nossos valores”, afirmou um ex-assessor parlamentar próximo ao grupo de direita.

A postura de Salazar é ainda mais criticada por contradizer sua própria trajetória política. Militar, eleito sob a bandeira do conservadorismo e com forte discurso de segurança pública, o vereador agora parece adotar uma posição de cálculo político que contrasta com a combatividade esperada por seus eleitores.

Analistas políticos locais veem na omissão uma tentativa de se preservar diante das incertezas do cenário eleitoral de 2026, mas alertam que essa estratégia pode sair pela culatra. “Em momentos de definição, quem fica em cima do muro perde relevância. Salazar precisa escolher se quer ser apenas mais um vereador ou se vai ocupar espaço como liderança conservadora”, afirmou um jornalista especializado em política amazonense.

Num Amazonas onde a direita busca se organizar e fortalecer seus quadros, a omissão de Sargento Salazar é lida como uma falha grave. Em política, silêncio também comunica — e, neste caso, tem sido interpretado como fraqueza, conveniência ou até traição. A direita local observa. E cobra.

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