Os navios com cargas de mercadorias para o comércio e a indústria de Manaus interromperam, desde domingo (08), as viagens para a capital por causa da seca dos rios. O temor dos empresários do comércio é que a situação cause um desabastecimento na cidade e prejudique a chegada de itens para o fim de ano. …
????Comércio teme falta de mercadorias para o Natal em Manaus

Os navios com cargas de mercadorias para o comércio e a indústria de Manaus interromperam, desde domingo (08), as viagens para a capital por causa da seca dos rios. O temor dos empresários do comércio é que a situação cause um desabastecimento na cidade e prejudique a chegada de itens para o fim de ano.
“É a primeira vez que não temos navios passando por Manaus”, afirmou Erick Ramos, gerente comercial de cabotagem da empresa Aliança Navegação e Logística, durante reunião marcada pela Federação do Comércio do Amazonas (Fecomércio), nesta segunda-feira (16).
Horas antes, o Governo do Estado confirmara que as águas do Rio Negro chegaram ao menor nível em mais de 100 anos. O recorde de seca já vinha impactando a logística de transporte de mercadorias, com redução do envio e recebimento de cargas em torno de 60%.
Sem condições de navegar pelas hidrovias amazonenses, as empresas estão suspendendo as viagens para o estado e, por isso, é preciso discutir alternativas, disse o presidente da Fecomércio, Aderson Frota.
“É um momento difícil. O que mais nos preocupa é a população que está desabastecida. Tudo que se tem de custo, se repassa para o preço da mercadoria. Nós vamos ter um final de ano muito difícil. Temos que definir quais são as nossas estratégias”, afirmou.
Desabastecimento de produtos e alto valor de frete
Segundo a Fecomércio, houve uma redução no número de contêineres recebidos no Amazonas. Empresas que recebiam 300, agora conseguem receber 180 contêineres por balsa com destinos alternativos a Manaus.
Para Givaldo Lopes, proprietário da Distribuidora Lopes, o risco de desabastecimento de produtos é real, uma vez que muitas cargas estão atrasadas e mesmo as que estão chegando em portos, como o de Santarém, devem demorar a chegar na capital do Amazonas.
“Nós provavelmente teremos desabastecimento de produtos. Eu trabalho com um fôlego de 45 dias, mas temos cargas atrasadas. Se não chegar, vamos ficar sem produtos das marcas que vendemos. Estamos trazendo carga que vinha de cabotagem, estamos trazendo por Santarém. A carga está retornando. Estava no Porto de Itacoatiara e está voltando. Não havia profundidade para passagem em Itacoatiara e ele teve que retornar”, explicou.
Para Gilberto Lara, representante da Transportes Bertolini, o valor do frete vai ficar até 60% mais caro que o valor pago hoje pelas empresas. Esse aumento vai refletir no bolso do amazonense que necessita dos produtos.
“A gente trabalha usando a BR-163 há mais de dez anos. Tem também a BR-153. O momento é crítico, preocupante. Precisa ser tratado com muito zelo. Temos uma dificuldade de atender o interior. Uma cidade que a gente atendia com 15 dias passou a 25. Infelizmente, a gente não consegue atender todo mundo. O aumento de custo, isso é notório. Vai realmente acontecer. Chega a ser 60% superior. A consequência vai bater no bolso do consumidor final”, afirmou.











