O Amazonas agora tem 60 dos seus 62 municípios em situação de emergência por causa da seca histórica, que, além de diminuir drasticamente o nível dos rios, facilita queimadas na floresta. E, enquanto cerca de 610 mil moradores do estado sofrem com esse fenômeno, prefeituras da região desembolsaram, nas últimas semanas, ao menos R$ 2,77 …
????Prefeituras do Amazonas em situação de emergência gastam R$ 2,7 milhões com shows

O Amazonas agora tem 60 dos seus 62 municípios em situação de emergência por causa da seca histórica, que, além de diminuir drasticamente o nível dos rios, facilita queimadas na floresta. E, enquanto cerca de 610 mil moradores do estado sofrem com esse fenômeno, prefeituras da região desembolsaram, nas últimas semanas, ao menos R$ 2,77 milhões para bancar cachês de artistas do piseiro e do forró.
O levantamento feito pelo Estadão revela que estrelas desse gênero musical, como Zé Vaqueiro, Xand Avião e João Gomes, figuram entre os mais bem pagos. Enquanto o intérprete do piseiro Coladin recebeu quase R$ 1 milhão ao se apresentar nos municípios de Tabatinga e Manacapuru, os cantores Xand e João Gomes receberam R$ 500 mil, cada, para tocarem na ExpoFest 2023, da cidade de Itacoatiara.
Em Novo Aripuanã, a situação de emergência foi reconhecida pela União em 2 de outubro deste ano. Pouco tempo depois, em 20 de outubro, o governo federal empenhou R$ 531 mil de verba extraordinária para “ações de proteção e defesa civil” em benefício da prefeitura. Mas, no fim de agosto, os artistas George Japa e Israel Novaes se apresentaram no Festlendas. Os valores dos contratos foram de R$ 47 mil e R$ 238,6 mil, respectivamente.
Os shows foram contratados sem licitação, conforme os contratos publicados no Diário Oficial dos municípios e mostrados pelo Estadão. As contratações não são ilegais, mas ocorreram no mesmo momento em que o governo federal anunciou que iria injetar R$ 627 milhões para ajudar a frear os efeitos da seca. Com autorização da União, beneficiários do Bolsa Família também receberam o repasse adiantado, uma vez que não há previsão de retomada de chuvas constantes.
Os shows foram contratados pelas prefeituras de Itacoatiara, Manacapuru, Novo Aripuanã e Tabatinga. Todas essas cidades, segundo a Defesa Civil do Amazonas, estão em situação de emergência desde setembro deste ano. Outra cidade do estado, Apuí, empenhou R$ 250 mil com o cachê do cantor Mano Walter para se apresentar na 34ª Expoap. O município, no entanto, não vive uma situação de emergência.
Manaus não é diferente
No aniversário de Manaus celebrado no último dia 24 de outubro na Zona Leste da cidade, a Prefeitura de Manaus gostou cerca de R$ 330 mil reais somente com show da cantora paraense Joelma e do cantor nacional Thierry.
A farra com dinheiro público para contratação desses cantores acontece em meio a uma estiagem castigante que Manaus e o estado têm vivido nos últimos meses, inclusive com racionamento de energia elétrica em municípios do interior.
Conforme publicado pelo site Radar Amazônico, o show no aniversário de 354 anos de Manaus teve ainda a apresentação de Guto Lima e Vanda Guedes, mas os valores da festa não foram disponibilizados pela Prefeitura de Manaus ou pela Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult).
O Radar fez um levantamento do cachê dos artistas. A cantora Joelma cobra em média R$ 150 mil reais. Já o cantor Thierry cobra em média R$ 180 mil reais por show. Em julho deste ano, o artista fez uma apresentação em um município do interior do estado e pediu o mesmo valor.
Assim, os valores somados e gastos pelo poder público chegam a R$ 330 mil reais. Na internet, a população criticou o show dos cantores e a comemoração do aniversário da cidade, já que Manaus enfrenta a estiagem e tem amanhecido coberta por fumaça.











