Há pouco mais de um ano, a Argentina foi às urnas e escolheu a mudança. Quem venceu foi o polêmico Javier Milei, um ultraliberal de direita que prometia uma revisão completa da economia para resolver problemas crônicos, que se arrastam há anos. Logo nos primeiros dias, colocou em prática sua principal proposta de campanha, o …
????Argentina de Javier Milei: saiba o que mudou um ano após Plano Motosserra

Há pouco mais de um ano, a Argentina foi às urnas e escolheu a mudança. Quem venceu foi o polêmico Javier Milei, um ultraliberal de direita que prometia uma revisão completa da economia para resolver problemas crônicos, que se arrastam há anos.
Logo nos primeiros dias, colocou em prática sua principal proposta de campanha, o “Plano Motosserra”, com cortes de todos os tipos: de gastos, de normas burocráticas e de tudo que Milei via como intervenção excessiva do estado no dia a dia da economia.
Foram flexibilizadas regras trabalhistas e políticas de aluguéis. Empresas públicas foram privatizadas e funcionários públicos, demitidos.
Restrições a exportações deixaram de existir. Essas restrições costumam ser adotadas como uma forma de preservar a oferta e evitar o encarecimento de produtos, principalmente alimentos. O princípio dos liberais, porém, é deixar o mercado livre para operar como quiser e, além disso, mais exportações também impulsionam a moeda nacional contra o dólar. (entenda mais abaixo)
Também foram derrubados antigos congelamentos de preços e subsídios a serviços básicos, como transporte público, contas de água e luz.
A ideia com tudo isso era reduzir os gastos do governo, liberalizar a economia, gerar maior entrada de dólares no país e aumentar a confiança no futuro da Argentina. E, claro, o principal: reduzir uma hiperinflação, que era de impressionantes 211,4% em 12 meses ao final de 2023.
A inflação cedeu e se tornou a grande vitória de Milei em seu primeiro ano. O índice mensal passou de 25,5% em dezembro de 2023 para 2,4% em novembro de 2024. Em 12 meses, ainda são 166%.
Vieram também os superávits: pela primeira vez em 13 anos, a Argentina terá um ano em que arrecadou mais do que gastou. Depois de registrar superávit de 357 bilhões de pesos em novembro (cerca de US$ 337,43 milhões), 11° mês consecutivo de resultado positivo, o governo espera encerrar o ano com um superávit primário correspondente a cerca de 1,9% do PIB.
Esse é um pilar fundamental das políticas de Milei, já que o país precisa urgentemente fazer reservas em dólar, mostrar que pode cumprir seus compromissos e é um porto seguro para investidores.
Mas esse resultado veio a duras penas para a população mais pobre. Com desemprego e preços em alta, a pobreza subiu e passou a atingir mais da metade da população — consequência direta dos cortes de subsídios e fim dos controles de preços, que encareceram transporte, energia, água e outros produtos e serviços básicos.
Quando Milei tomou posse, eram 41,7% de pobres (12,3 milhões). Ao final do primeiro semestre de governo, eram 52,9% (15,7 milhões de pessoas).
Com a paralisação da economia, causada pela motosserra, a atividade econômica desabou. No terceiro trimestre de 2024, o último que se tem dados divulgados até aqui, o Produto Interno Bruto (PIB) argentino teve queda de 2,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Deve fechar o ano com contração de 3,5%, segundo as projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Mesmo assim, a popularidade de Milei continua alta. Por mais dolorosas que sejam as medidas, os argentinos parecem considerar que esse é um caminho necessário para uma melhora da economia e que o presidente ainda tem um tempo para reverter o jogo. Há, porém, quem tenha pouca esperança de que a vida vá melhorar.
São esses os relatos que o g1 ouviu em Buenos Aires, capital da Argentina. São analistas, trabalhadores, empreendedores, empresários e estudantes que vivem no país, para entender como as mudanças na economia marcaram o primeiro ano de Milei – e o que esperar adiante.
A fórmula de Milei para salvar a economia
A motosserra foi um símbolo da campanha de Milei em 2023, e não se pode dizer que o argentino não sabia o que viria pela frente. O pacote que leva seu nome é muito mais amplo, mas a direção é sempre a mesma: corte de gastos.
Entre as principais medidas, o pacote:
- Eliminou os subsídios governamentais para serviços básicos, como luz, água e transportes públicos;
- Eliminou uma lei que limitava os aumentos de preços em produtos da cesta básica nos supermercados;
- Congelou obras públicas;
- Demitiu milhares de funcionários públicos;
- Diminuiu o reajuste dos salários, aposentadorias e pensões;
- Iniciou estudos e processos de desestatização e privatização de empresas estatais;
- Abriu a economia da Argentina para mais exportações e importações.
O maior impacto veio do fim dos subsídios às contas básicas e do controle de preços, que fizeram explodir a inflação em um primeiro momento. Em novembro de 2023, o índice foi de 12,8%, já altíssimo. No mês seguinte, primeiro de vigência das medidas, passou a 25,5%. Em março de 2024, a inflação argentina chegou ao pico de 287,9% na janela de 12 meses.
Fonte: g1











