O bilionário austríaco Werner Rydl, acusado de fornecer ouro para contrabando, foi alvo de busca e apreensão durante deflagração de operação da Polícia Federal nessa quarta-feira (20). O empresário Brubeyk do Nascimento, dono da empresa Bamc Laboratório de Análises de Solos e Minérios Ltda, apontado como principal alvo, foi preso em um condomínio de luxo …
????Austríaco acusado de fornecer ouro para contrabando no AM já foi preso pelo mesmo crime

O bilionário austríaco Werner Rydl, acusado de fornecer ouro para contrabando, foi alvo de busca e apreensão durante deflagração de operação da Polícia Federal nessa quarta-feira (20). O empresário Brubeyk do Nascimento, dono da empresa Bamc Laboratório de Análises de Solos e Minérios Ltda, apontado como principal alvo, foi preso em um condomínio de luxo em Manaus.
Durante coletiva de imprensa realizada também na quarta-feira (20) na sede da PF em Manaus, delegados falaram sobre a operação Emboaba, deflagrada no Amazonas. Conforme a PF, o austríaco naturalizado brasileiro Werner Rydl, realizava o esquema de esquentamento de ouro por meio do imposto de renda dele.
“É necessário informar a existência de esquemas de esquentamento de ouro através de um imposto de renda do homem chamado Werner Rydl. Esse indivíduo possui um patrimônio declarado na Receita Federal de mais de R$20 bilhões em ouro, então uma quantidade exorbitante. Ele utiliza esse patrimônio, que supostamente ele adquiriu ao longo de muitos anos, para fazer a venda de ouro na modalidade mercadoria para o alvo principal que é o Brubeyk”, explicou o delegado Adriano Sombra.
“Então o alvo principal (Brubeyk) fazia esse comercialização com o austríaco, dizia que comprava dele, quando na verdade estava retirando esse ouro de terras indígenas”, completou.
Reincidente
O austriaco já havia sido preso em flagrante anos atrás no Aeroporto Marechal Rondon, e em março de 2015, foi condenado há dois anos de detenção em regime aberto, pelo crime de usurpação de matéria-prima pertencente à União. A decisão foi do juiz Jefferson Schneider, da 5ª Vara Federal de Mato Grosso.
Na ocasião da prisão, o austríaco estava com uma barra de 640 gramas de ouro, sem documentação legal, em sua bagagem de mão, avaliada em R$ 73 mil.
Em razão da pena fixada não ser superior a quatros anos, de o crime não ter sido cometido com violência ou ameaça e o condenado não ser reincidente e não ter antecedência criminal, o juiz decidiu substituir a pena preventiva de liberdade por duas restritivas de direito, sendo uma pecuniária na qual o condenado terá que pagar mensalmente o valor correspondentes a cinco salários mínimos durante a pena e outra prestação de serviços à comunidade, que neste caso, ainda seria estabelecida pelo juízo da execução penal.
O austríaco revelou em juízo, que acumulou uma quantidade expressiva de ouro desde que chegou ao Brasil, na década de 90. Conforme seu relato, ele comprava ouro de diversas formas, “até mesmo de pessoas que vendiam dentes de ouro”. No ato de sua prisão, o condenado explicou que adquiria desde ouro de sucata de eletrônicos, joias, até ouro importado de garimpos, cooperativas e de mineiros, alegando que “tudo foi feito de acordo com a lei”.
Porém, no momento em que foi questionado se possuía alguma documentação que autorizasse a posse do minério, Werner argumentou que os documentos que tinha “se deterioraram, embora os tenha digitalizado, os CDs que continham esses documentos também se danificaram durante período que ficaram apreendidos em razão de outro processo pela Justiça Federal de Pernambuco”.
Na decisão, o juiz Jefferson Schneider destacou que Werner Rydl possui experiência na compra de ouro e que conseguiu pelo menos 27 mil quilos somente no Brasil, tendo conhecimento de que o transporte sem documento não é lícito.
“O acusado é pessoa experiente na compra de ouro tendo adquirido, segundo alega, ao menos 27 mil quilos no Brasil, o que permite concluir estar familiarizado com a matéria e, por consequência, com as exigências legais para exploração, transporte e comércio desse minério. Portanto, o transporte do ouro pelo acusado, desacompanhado de qualquer documento, não tem justificativa que possa exculpar sua responsabilidade penal”, diz um trecho da decisão.
O magistrado ainda destacou que a vinda do austríaco para Cuiabá foi devido ser “uma região aurífera, com fácil acesso ao minério”, já que Werner apresentou respostas contraditórias e inseguras sobre os motivos pelos quais veio a Capital, dizendo que mantinha um projeto social no Brasil de compra de ouro dos garimpeiros locais, e que veio para a capital mato-grossense afim de resolver um problema com a Receita Federal que, por algum motivo, não poderia ser resolvido e São Paulo.
Estrangeiro naturalizado brasileiro
Werner Rydl se mudou para o Brasil há mais de 20 anos após ser acusado de vários crimes financeiros na Áustria. Ele foi preso em 2004 a pedido do Ministério da Justiça para fins de extradição requerida pelo governo austríaco e passou quatro anos preso.
Em 2006, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu a extradição de Werner Rydl sob a acusação de fraude, resistência contra autoridade e organização criminal. Na época, ele alegou que se tratava de perseguição política do governo austríaco e que não tinha cometido sonegação fiscal. Ele então foi encaminhado para a Áustria e depois de três meses foi liberado por prescrição do crime, que tinha sido cometido no início da década de 90. Em 2009, ele voltou ao Brasil.
O austríaco mora no interior de Pernambuco, em Ponta do Mel, e teria viajado a Mato Grosso por causa dos negócios que possui nesse estado.











