O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pediu nesta segunda-feira que seu colega Luiz Inácio Lula da Silva se pronuncie sobre o veto do governo brasileiro à entrada da Venezuela no Brics. O ditador, no entanto, evitou responsabilizar Lula diretamente pelo veto, e mirou nos funcionários da chancelaria brasileira. — Prefiro esperar que Lula observe, esteja bem …
????Maduro pede que Lula se pronuncie sobre veto à entrada da Venezuela no Brics

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pediu nesta segunda-feira que seu colega Luiz Inácio Lula da Silva se pronuncie sobre o veto do governo brasileiro à entrada da Venezuela no Brics. O ditador, no entanto, evitou responsabilizar Lula diretamente pelo veto, e mirou nos funcionários da chancelaria brasileira.
— Prefiro esperar que Lula observe, esteja bem informado sobre os acontecimentos, e que ele, como chefe de Estado, em seu momento, diga o que tem que dizer — disse Maduro, em seu programa semanal na TV pública. — O Itamaraty tem sido um poder dentro do poder no Brasil há muitos anos. Sempre conspirou contra a Venezuela. É uma chancelaria muito ligada ao Departamento de Estado americano, desde a época do golpe de Estado contra João Goulart.
Antigo aliado de Maduro e de seu antecessor Hugo Chávez, Lula se distanciou do presidente venezuelano após sua polêmica reeleição, em julho, num pleito que a oposição do país denunciou como fraudulenta. O venezuelano compareceu de última hora à cúpula de chefes de Estado do Brics, na semana passada, na cidade de Kazan, na Rússia, para pressionar pela entrada do país no bloco — o que não aconteceu. Lula não participou do encontro, após se machucar em um acidente doméstico, dias antes da viagem.
Mas o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, era contra a entrada do país no bloco. Em entrevista ao jornal O GLOBO, na semana passada, Amorim disse que veto respondeu a uma “quebra de confiança”.
— [A entrada da Venezuela ao Brics] Não é um problema do regime político, é uma questão de quebra de confiança. Nós agimos de boa-fé, mas com a Venezuela quebrou-se a confiança — afirmou Amorim, em referência à promessa do Palácio Miraflores de entregar as atas do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o que nunca aconteceu;
No último sábado, o procurador-geral da Venezuela, Tarek Saab, chegou a questionar o acidente doméstico sofrido por Lula, que chamou de “álibi” para justificar a ausência do brasileiro na reunião do bloco. Maduro, no entanto, preferiu não endossá-lo.
— Não me pronuncio sobre esse tema. Cabe aos médicos e ao presidente Lula falar — disse o presidente, que indicou que continuará insistindo na entrada da Venezuela no Brics. — Devemos esperar resultados dos nossos próprios esforços, nunca depender de ninguém, seja quem for. Não dependemos do Brasil para nada, nem de ninguém.
Fonte: Globo
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