Durante coletiva de imprensa, o governador Wilson Lima (União) associou as críticas que surgiram contra a entrada da Organização Social (OS) Agir na administração do Complexo Hospitalar da Zona Sul (CHZS), aos empresários que se negam a bater metas e prestar um serviço eficiente aos pacientes do complexo. Wilson Lima prometeu fazer uma espécie de …
????’O que acontece é a insatisfação de alguns empresários”, rebate Wilson Lima sobre críticas da privatização do 28 de Agosto e do Dona Lindu

Durante coletiva de imprensa, o governador Wilson Lima (União) associou as críticas que surgiram contra a entrada da Organização Social (OS) Agir na administração do Complexo Hospitalar da Zona Sul (CHZS), aos empresários que se negam a bater metas e prestar um serviço eficiente aos pacientes do complexo. Wilson Lima prometeu fazer uma espécie de “choque de ordem”, que vai incluir metas a serem batidas e regras mais rígidas a serem seguidas, como por exemplo o controle de ponto para os profissionais que prestam serviço no local. A informação é do Radar Amazônico.
“O que acontece é a insatisfação de alguns empresários que estão saindo da zona de conforto. Aí paciência! O meu objetivo é aumentar a produtividade no 28 de Agosto. E aqui nós vamos enfrentar o que o que tiver que ser enfrentado, o quê que eu determinei para a empresa [OS Agir]? Chamei a empresa e disse o seguinte: ‘olha, eu não quero que traga ninguém de fora. A preferência é pro médico que tá aqui! Agora, se o médico não quiser entrar no novo sistema da empresa, se não quiser atender às exigências da empresa de cumprir plantão, ter hora para entrar, ter hora para sair, aí paciência!’ foi essa a determinação que eu dei
A polêmica privatização da gestão do Complexo Hospitalar, que inclui o Hospital e Pronto-socorro 28 de Agosto e o Instituto da Mulher Dona Lindu – vem dividindo opiniões, levantando debates e dúvidas sobre o futuro do maior complexo hospitalar do Amazonas.
De um lado estão empresários e funcionários terceirizados de cooperativas – que relatam revolta e preocupação com algumas mudanças que a nova administração vem fazendo, como encerramento de contratos -, e do outro está o Governo do Estado, que diz estar apenas dando uma espécie de choque de ordem naquelas unidades hospitalares para acabar como filas nos corredores, gastos excessivos, assim como os problemas causados por excesso de burocracia, falta de controle de pessoal e casos de corrupção -, o que justificaria a contratação da Organização Social (OS) Agir, para mudar a forma de administrar o 28 de Agosto e o Dona Lindu.
A pressão sobre o assunto é tanta, que durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (17) para falar sobre o pagamento do abono do Fundeb para os servidores da Educação da Rede Estadual de Ensino, o governador Wilson Lima (União) se manifestou sobre o caso em resposta a uma jornalista. Para ele, as mudanças que a OS está tomando visa tornar o hospital mais “eficiente” e melhorar o atendimento à população. O governador rebateu as críticas dando a entender que a mudança no 28 de Agosto e na maternidade Dona Lindu, que agora serão administrados pela Organização Social Agir, está contrariando interesses de empresários.
“Não existe interrupção nos serviços prestados pelo 28 de Agosto e também pela maternidade Dona Lindu que agora passa a ser o Complexo Hospitalar Sul. Pelo contrário, nos últimos meses ampliamos a quantidade de leitos para 46 e, do dia 1º de dezembro, até agora, foram contratadas 300 pessoas além daquelas que já estavam atuando naquelas unidades de saúde. O que estamos fazendo é implantando um novo sistema de administração na rede, inclusive contratamos recentemente um aplicativo, sendo uma parceria com o Google, para fazer a limpeza da fila, saindo do sistema de regulação do Sisreg para otimizar o atendimento. E o que estamos fazendo naquele complexo é a otimização de gastos e aumento de produtividade. Essa semana, por exemplo, já não terá mais ninguém no corredor do 28 de agosto. É inadmissível que um paciente que chegue lá acidentado, seja com o braço fraturado, seja com a perna ou com a mão fraturada, fique 20, 45 dias no antibiótico esperando o procedimento cirúrgico! E já determinei à empresa que o paciente que chega lá acidentado, ele seja operado em menos de 24 horas. Então daqui a 30 dias essa é a meta da empresa”, declarou Wilson Lima.
Outro exemplo dado pelo governador do que ele denominou de otimização dos serviços nas unidades hospitalares é que, atualmente, são feitas seis cirurgias ortopédicas por dia no 28 de Agosto e esse número terá que aumentar para 15 cirurgias diárias. “Só pra vocês terem uma idéia, o 28 de Agosto e o Dona Lindu custavam R$ 43 milhões de reais mês e hoje passam a custar R$ 33 milhões de reais mês”, informou Wilson Lima dizendo ainda que mesmo com essa cifra milionária, os funcionários do 28 de Agosto e do Dona Lindu ficavam sem pagamentos dos salários.
“Tem gente que não quer que haja transparência, tem gente que quer que os corredores do 28 de Agosto continuem lotados. Tem gente que não tem interesse que o paciente seja operado de imediato. Tem gente, acreditem, que quer que o paciente fique lá no hospital 20,30,45 dias. Isso é inadmissível, a gente não aceita mais que isso continue acontecendo nessa unidade de saúde, ou a gente resolve isso agora ou nunca mais será resolvido”, argumenta o governador.
As cooperativas repudiam as mudanças
Ocorre que algumas empresas tiveram contratos encerrados pela nova administradora do HPS 28 de Agosto. Esse foi o caso do Instituto de Traumato-Ortopedia do Amazonas (ITO-AM). A decisão revoltou os sócios da empresa, como a Dra. Laís Ribeiro da Fonseca, que chegou a publicar um vídeo em suas redes sociais criticando essa medida.
Mas foi apurado junto ao Portal Transparência do Governo do Amazonas que essa cooperativa recebeu mais de R$ 59 milhões da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) apenas em 2024.
Outra empresa que vem reclamando dessas mudanças é o Instituto de Cirurgia do Estado do Amazonas (ICEA), que também teve contrato encerrado com o CHZS. Na noite dessa segunda-feira (16), representantes dessa cooperativa – que já recebeu mais de R$ 63,4 milhões da SES-AM este ano – chegaram a reunir a imprensa para lamentar a decisão da OS Agir.
SES-AM rebate cooperativas e diz que atendimentos estão normalizados
Em comunicado divulgado nesta terça-feira (17), a pasta de Saúde do Governo do Estado negou que houvesse qualquer tipo de suspensão no atendimento e disse que foi o próprio Instituto de Traumato-Ortopedia do Amazonas (ITOAM) que não aceitou a proposta feita pela OS. Para dar continuidade aos serviços, a Organização Social de Saúde (OSS) responsável pela nova administração do complexo realizou a contratação de novos ortopedistas, após o instituto que prestava o serviço no HPS 28 de Agosto recusar a proposta de contratação e se retirar da unidade.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) disse que só foi notificada pelo Instituto de Traumato-Ortopedia do Amazonas (ITOAM) apenas na tarde desta segunda-feira (16) sobre a saída dos profissionais da unidade. Conforme explicou a secretária da SES-AM, Nayara Maksoud, assim como outras empresas médicas, o ITOAM recebeu proposta da OSS para permanecer prestando os serviços, mas não aceitou. Dessa forma foi necessária a busca por profissionais de outros estados.
“Atendendo um pedido da Secretaria de Saúde, os médicos que já atuavam nas unidades foram os primeiros a serem consultados para serem contratados, mas infelizmente não aceitaram. Nossa responsabilidade é garantir que a assistência médica continue. Várias tentativas foram feitas com os profissionais, mas nós estamos olhando para a população e para o usuário do Sistema Único de Saúde. Mudanças de modelos de gestão e alteração em processos de trabalho acontecem sempre para melhorar”, destacou Nayara Maksoud.
A pasta de saúde alega que mesmo com a vinda de médicos de outros estados, as contratações seguem sendo realizadas e os médicos amazonenses que desejarem permanecer atuando nas duas unidades podem se dirigir ao setor administrativo do complexo. A expectativa é que, até janeiro, 1.500 contratações sejam feitas, possibilitando maior eficiência e agilidade aos serviços oferecidos.
Confira os pagamentos a cooperativa:











